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Klassenkampf in Frankreich
Karl Marx
(1850)

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As lutas de classes na França The Class Struggles in France
II — O 13 de Junho de 1849Part II: From June 1848 to June 13, 1849
O 25 de Fevereiro de 1848 tinha outorgado a república à França; o 25 de Junho impôs-lhe a revolução. E depois de Junho revolução significava: transformação da sociedade burguesa, enquanto antes de Fevereiro tinha significado: transformação da forma de Estado.

A luta de Junho fora conduzida pela fracção republicana da burguesia. Com a vitória caiu-lhe necessariamente nas mãos o poder de Estado. O estado de sítio pôs-lhe aos pés sem resistência Paris amordaçada. E nas províncias reinava um estado de sítio moral: a arrogância da vitória, brutal, ameaçadora, dos burgueses e o fanatismo da propriedade, à solta, dos camponeses. De baixo, portanto, nenhum perigo!

Com a quebra do poder revolucionário dos operários quebrou-se ao mesmo tempo a influência política dos republicanos democráticos, isto é dos republicanos no sentido da pequena burguesia, representados na Comissão Executiva por Ledru-Rollin, na Assembleia Nacional Constituinte pelo partido da Montagne[43] e na imprensa pela Reforme[44]. Em 16 de Abril[45] tinham conspirado juntamente com os republicanos burgueses contra o proletariado e nas jornadas de Junho tinham-no combatido juntamente com eles. Assim, eles próprios tinham feito saltar o plano recuado donde o seu partido emergira como uma força, pois a pequena burguesia só se pode afirmar revolucionariamente contra a burguesia quando o proletariado está por detrás dela. Foram despedidos. A aliança aparente contraída com eles contra vontade e com segundas intenções durante a época do Governo provisório e da Comissão Executiva, foi abertamente quebrada pelos republicanos burgueses. Desprezados e rejeitados como aliados, desceram ao nível de satélites secundários dos tricolores aos quais não podiam arrancar qualquer concessão, mas cuja dominação tinham de apoiar todas as vezes que esta, e com ela a república, parecesse posta em questão pelas fracções burgueses anti-republicanas. Finalmente, estas fracções, orleanistas e legitimistas, encontravam-se desde o princípio em minoria na Assembleia Nacional Constituinte. Antes das jornadas de Junho, só sob a máscara do republicanismo burguês se atreviam a reagir. A vitória de Junho fez por um momento toda a França burguesa saudar em Cavaignac o seu salvador, e quando, pouco tempo depois das jornadas de Junho, o partido anti-republicano de novo se autonomizou, a ditadura militar e o estado de sítio de Paris não lhe permitiram que estendesse as antenas senão muito tímida e cautelosamente.

Desde 1830 que a fracção republicano-burguesa agrupara os seus escritores, os seus porta-vozes, as suas competências, as suas ambições, os seus deputados, generais, banqueiros e advogados em torno de um jornal de Paris, em torno do National. Nas províncias, este possuía os seus jornais-filiais. A camarilha do National era a dinastia da república tricolor. Apossou-se imediatamente de todas as honrarias do Estado, dos ministérios, da prefeitura da polícia, da direcção do correio, das prefeituras, dos postos elevados do exército que tinham ficado vagos. À frente do poder executivo encontrava-se o seu general, Cavaignac. O seu redactor en chef, Marrast, passou a ser o presidente permanente da Assembleia Nacional Constituinte. Ao mesmo tempo, nos seus salões, fazia, como mestre de cerimónias, as honras da república honesta.

Até escritores franceses revolucionários, por uma espécie de timidez perante a tradição republicana, reforçaram o erro de que os realistas (Royalisten) teriam dominado na Assembleia Nacional Constituinte. Pelo contrário, desde as jornadas de Junho a Assembleia Constituinte permanecia a representante exclusiva do republicanismo burguês e dava relevo a esta faceta de um modo tanto mais decidido quanto mais a influência dos republicanos tricolores fora da Assembleia se desmoronava. Se se tratava de afirmar a forma da república burguesa, ela dispunha dos votos dos republicanos democráticos; se se tratava do conteúdo, a sua própria maneira de falar já não a separava das fracções burguesas realistas, pois os interesses da burguesia, as condições materiais da sua dominação de classe e exploração de classe constituem precisamente o conteúdo da república burguesa.

Não era portanto o monarquismo (Royalismus), mas o republicanismo burguês que se realizava na vida e nos actos desta Assembleia Constituinte que finalmente nem morria nem era morta, mas apodrecia.

Ao longo de toda a duração da sua dominação enquanto representava no proscénio a acção principal[46], representava-se ao fundo da cena uma ininterrupta celebração sacrificial: as contínuas condenações pelos tribunais marciais dos insurrectos de Junho presos ou a sua deportação sem julgamento. A Assembleia Constituinte teve o tacto de confessar que, quanto aos insurrectos de Junho, não julgava criminosos mas esmagava inimigos.

A primeira acção da Assembleia Nacional Constituinte foi a nomeação de uma Comissão de Inquérito acerca dos acontecimentos de Junho e de 15 de Maio e da participação dos chefes dos partidos socialista e democrático nessas jornadas. O inquérito visava directamente Louis Blanc, Ledru-Rollin e Caussidière. Os republicanos burgueses ardiam de impaciência por se verem livres destes rivais. Não podiam confiar a execução dos seus rancores a outro sujeito mais próprio para o efeito do que o senhor Odilon Barrot. o antigo chefe da oposição dinástica, o liberalismo personificado, a nullité grave[47], a superficialidade radical, que tinha não só de vingar uma dinastia mas também de pedir contas aos revolucionários por uma presidência de ministério frustrada: Garantia segura da sua inflexibilidade. Este Barrot, nomeado assim presidente da comissão de inquérito, forjou um processo completo contra a revolução de Fevereiro que se pode resumir do seguinte modo: 17 de Março, manifestação: 16 de Abril, conspiração; 15 de Maio, atentado; 23 de Junho, guerra civil!. Por que razão não estendeu ele as suas sábias e criminalísticas investigações até ao 24 de Fevereiro? O Journal des Débats[48] respondeu: o 24 de Fevereiro é a fundação de Roma. A origem dos Estados perde-se num mito em que se deve acreditar mas que não se deve discutir. Louis Blanc e Caussidière foram entregues aos tribunais. A Assembleia Nacional completou o trabalho do seu próprio saneamento que iniciara a 15 de Maio.

O plano concebido pelo Governo provisório e retomado por Goudchaux de um imposto sobre o capital — na forma de um imposto sobre hipotecas — foi rejeitado pela Assembleia Constituinte; a lei que limitava o tempo de trabalho a 10 horas foi revogada: a prisão por dívidas, restabelecida; a grande parte da população francesa que não sabia ler nem escrever foi excluída da admissão em júris. Porque não também do sufrágio? A caução para os jornais foi introduzida de novo e o direito de associação limitado.

Todavia, na sua pressa de restituir as antigas garantias às antigas relações burguesas e eliminar todos os traços que as ondas da revolução tinham deixado, os republicanos burgueses encontraram uma resistência que ameaçava com um perigo inesperado.

Ninguém nas jornadas de Junho tinha lutado com mais fanatismo pela salvação da propriedade e pelo restabelecimento do crédito do que os pequenos burgueses de Paris: donos de cafés, de restaurantes, marchands de vins[49], pequenos comerciantes, merceeiros, artesãos, etc. A boutique[50] unira-se e marchara contra a barricada para restabelecer a circulação que vem da rua para a boutique. Atrás da barricada, porém, estavam os clientes e os devedores, à frente dela encontravam-se os credores da boutique. E quando as barricadas foram derrubadas e os operários esmagados e os donos das lojas, ébrios com a vitória, se precipitaram para as suas lojas, encontraram a entrada barricada por um salvador da propriedade, um agente oficial do crédito, brandindo-lhes as cartas cominatórias: Letra vencida! Renda vencida! Título de dívida vencido! Boutique vencida! Boutiquier vencido!

Salvação da propriedade! Mas a casa em que viviam não era propriedade sua; a loja que tinham não era propriedade sua; as mercadorias em que negociavam não eram propriedade sua. Nem o negócio, nem o prato em que comiam, nem a cama em que dormiam lhes pertencia ainda. Tratava-se, pois, precisamente, de salvar esta propriedade para o dono da casa que a alugara, para o banqueiro que descontara as letras, para o capitalista que adiantara o dinheiro, para o fabricante que confiara as mercadorias a esses merceeiros para as vender, para o grande comerciante que fornecera a crédito as matérias-primas a estes artesãos. Restabelecimento do crédito! Mas o crédito de novo robustecido revelou-se precisamente como um deus vivo e fervoroso expulsando das suas quatro paredes, com mulher e filhos, o devedor insolvente, entregando os seus haveres ilusórios ao capital e atirando-o para a prisão por dívidas que, de novo, se erguera ameaçadora sobre os cadáveres dos insurrectos de Junho.

Os pequenos burgueses reconheceram com pavor que, ao derrotarem os operários, se tinham entregue sem resistência nas mãos dos seus credores. A sua bancarrota, que desde Fevereiro se arrastava cronicamente e parecia ignorada, manifestou-se claramente depois de Junho.

Enquanto foi necessário arrastá-los para o campo da luta em nome da propriedade não se lhes havia tocado na sua propriedade nominal. Agora que a grande questão com o proletariado estava arrumada, podia arrumar-se de novo o pequeno negócio com o épicier. Em Paris, o volume dos títulos protestados ultrapassava 21 milhões de francos, nas províncias 11 milhões. Proprietários de mais de 7 000 casas comerciais de Paris não pagavam a renda desde Fevereiro.

Como a Assembleia Nacional havia procedido a uma enquête[51] sobre a dívida política remontando até Fevereiro, os pequenos burgueses exigiram por seu lado uma enquête sobre as dívidas civis até 24 de Fevereiro. Reuniram-se em massa no salão da Bolsa e para cada comerciante que pudesse provar que a sua falência fora devida apenas à paralisação provocada pela revolução e que o seu negócio ia bem no dia 24 de Fevereiro exigiram com ameaças prolongamento do prazo de pagamento mediante sentença do Tribunal do Comércio e obrigação do credor de liquidar o seu crédito por um pagamento percentual moderado. Esta questão foi tratada na Assembleia Nacional como proposta de lei sob a forma de "concordais à l'amiable"[52]. A Assembleia estava vacilante; então, de súbito, tomou conhecimento de que, ao mesmo tempo, na Porte St. Denis, milhares de mulheres e filhos dos insurrectos preparavam uma petição de amnistia.

Ante o espectro de Junho, ressuscitado, os pequenos burgueses tremeram e a Assembleia recuperou a sua inflexibilidade. Os concordais à l'amiable, o entendimento amistoso entre credor e devedor foi rejeitado nos seus pontos essenciais.

Assim, muito tempo depois de no seio da Assembleia Nacional os representantes democráticos dos pequenos burgueses terem sido repelidos pelos representantes republicanos da burguesia, esta cisão parlamentar adquiriu o seu sentido burguês, o seu sentido económico real, quando os pequenos burgueses foram abandonados, como devedores, aos burgueses, como credores. Uma grande parte dos primeiros ficou completamente arruinada e aos restantes apenas foi permitido prosseguir o seu negócio sob condições que os tornavam servos incondicionais do capital. A 22 de Agosto de 1848, a Assembleia Nacional rejeitou os concordais à l'amiable. A 19 de Setembro de 1848, em pleno estado de sítio, o príncipe Louis Bonaparte e o preso de Vincennes, o comunista Raspail, foram eleitos deputados por Paris. A burguesia, porém, elegeu Fould, o cambista judeu e orleanista. Assim, de repente, surgiu de todos os lados ao mesmo tempo uma declaração de guerra aberta contra a Assembleia Nacional Constituinte, contra o republicanismo burguês, contra Cavaignac.

Não é preciso pormenorizar como a bancarrota em massa dos pequenos burgueses de Paris fez sentir os seus efeitos muito para além dos imediatamente atingidos e mais uma vez teve de abalar o comércio burguês, ao mesmo tempo que o défice do Estado voltava a crescer devido aos custos da insurreição de Junho e as receitas do Estado diminuíam constantemente em virtude da paralisação da produção, do consumo limitado e das importações cada vez menores. Nem Cavaignac, nem a Assembleia Nacional podiam recorrer a nenhum outro meio que não fosse um novo empréstimo que os sujeitava ainda mais à canga da aristocracia financeira.

Se, por um lado, os pequenos burgueses tinham colhido como fruto da vitória de Junho a bancarrota e a liquidação judicial, por outro, os janízaros[53] de Cavaignac, os guardas móveis, encontraram o seu pagamento nos braços macios das loretas e receberam, eles, "os jovens salvadores da sociedade", homenagens de toda a espécie nos salões de Marrast, o gentilhomme[54] da tricolor, que fazia ao mesmo tempo de anfitrião e de trovador da república honesta. Entretanto, esta preferência social e o soldo incomparavelmente mais elevado da Guarda Móvel irritava o exército, enquanto desapareciam todas as ilusões nacionais com que o republicanismo burguês por intermédio do seu jornal, o National, tinha sabido, no tempo de Louis-Philippe, prender a si uma parte do exército e da classe dos camponeses. O papel de medianeiro que Cavaignac e a Assembleia Nacional desempenharam na Itália do Norte para, juntamente com a Inglaterra, o atraiçoar em favor da Áustria — este único dia de poder anulou dezoito anos de oposição do National. Nenhum governo menos nacional que o do National; nenhum mais dependente da Inglaterra, e sob Louis-Philippe vivia ele da paráfrase diária do catoniano Carthaginem esse delendam[55]; nenhum mais servil para com a Santa Aliança, e por um Guizot tinha ele pedido o rompimento dos tratados de Viena. A ironia da história fez Bastide, ex-redactor da secção do estrangeiro do National, ministro dos Negócios Estrangeiros da França, a fim de refutar com cada despacho seu cada um dos seus artigos.

Por um momento, o exército e os camponeses tinham acreditado que, com a ditadura militar, estariam na ordem do dia da França a guerra com o exterior e a "gloire"[56]. Cavaignac, porém, não era a ditadura do sabre sobre a sociedade burguesa; era a ditadura da burguesia por meio do sabre. E agora do soldado precisavam apenas do gendarme. Por detrás dos seus traços severos de resignação de republicano da Antiguidade, Cavaignac ocultava a submissão insípida às condições humilhantes do seu cargo burguês (bürgerlichen Amtes). L'argent n'a pas de máitrel O dinheiro não tem amo! Cavaignac, tal como a Assembleia Constituinte em geral, idealizava este velho lema do tiers-état[57] traduzindo-o para a linguagem política: a burguesia não tem rei, a verdadeira forma da sua dominação é a república.

E na elaboração desta forma, a feitura de uma Constituição republicana, consistia a "grande obra orgânica" da Assembleia Nacional Constituinte. A mudança de nome do calendário cristão para um republicano, de São Bartolomeu para São Robespierre, fazia mudar o tempo e o vento tanto como esta Constituição alterava, ou deveria alterar, a sociedade burguesa. Quando ia além da troca do traje, limitava-se a lavrar em acta os factos existentes. Assim, registou solenemente o facto da república, o facto do sufrágio universal, o facto de uma única e soberana Assembleia Nacional em vez de duas Câmaras Constitucionais com atribuições limitadas. Assim, registou e legalizou o facto da ditadura de Cavaignac substituindo a monarquia hereditária, estacionária e irresponsável por uma monarquia electiva, ambulante e responsável, por uma presidência de quatro anos. Assim, elevou nada menos que a lei constituinte o facto dos poderes extraordinários com que, após os sustos de 15 de Maio e 25 de Junho, a Assembleia Nacional prudentemente, e no interesse da sua própria segurança, investira o seu presidente. O resto da Constituição foi obra de terminologia. As etiquetas realistas foram arrancadas à engrenagem da velha monarquia e substituídas por republicanas. Marrast, antigo redactor en chef do National, agora redactor en chef da Constituição, desempenhou-se, não sem talento, desta tarefa académica.

A Assembleia Constituinte assemelhava-se àquele funcionário chileno que queria regulamentar mais firmemente as relações da propriedade fundiária por meio da medição dos cadastros, no preciso momento em que o trovão subterrâneo já anunciava a erupção vulcânica que iria fazer fugir o solo sob os seus próprios pés. Enquanto na teoria traçava a compasso as formas em que a dominação da burguesia se exprimia republicanamente, na realidade só conseguia afirmar-se pela abolição de todas as fórmulas, pela força sans phrase[58], pelo estado de sítio. Dois dias antes de começar a sua obra constitucional, ela proclamou o seu prolongamento. Anteriormente tinham sido feitas e aprovadas Constituições logo que o processo de transformação social atingia um ponto de acalmia, as relações de classe recém-formadas se consolidavam e as fracções em luta da classe dominante se refugiavam num compromisso que lhes permitia continuar a luta entre si e, ao mesmo tempo, excluir dela a massa extenuada do povo. Esta Constituição, pelo contrário, não sancionava nenhuma revolução social, sancionava a vitória momentânea da velha sociedade sobre a revolução.

No primeiro projecto de Constituição[59], redigido antes das jornadas de Junho, ainda figurava o "droit au travail", o direito ao trabalho, a primeira fórmula canhestra em que se condensavam as exigências revolucionárias do proletariado. Foi transformado no droit à l'assistance, no direito à assistência pública. E que Estado moderno não alimenta, de uma maneira ou de outra, os seus pobres? No sentido burguês, o direito ao trabalho é um contra-senso, um desejo piedoso, miserável, mas por detrás do direito ao trabalho está o poder sobre o capital, por detrás do poder sobre o capital a apropriação dos meios de produção, a sua submissão à classe operária associada, portanto, a abolição do trabalho assalariado, do capital e da sua relação recíproca. Por detrás do "direito ao trabalho" encontrava-se a insurreição de Junho. A Assembleia Constituinte, que pusera efectivamente o proletariado revolucionário hors la loi, fora da lei, tinha que rejeitar, por princípio, a sua fórmula da Constituição, da lei das leis; tinha de lançar o seu anátema sobre o "direito ao trabalho". Mas não ficou por aqui. Como Platão tinha banido da sua república os poetas, assim ela baniu da sua e para a eternidade o imposto progressivo. E o imposto progressivo não é apenas uma medida burguesa, realizável em maior ou menor grau dentro das relações de produção existentes; era o único meio de amarrar as camadas médias da sociedade burguesa à república "honesta", de reduzir a dívida do Estado, de dar cheque à maioria anti-republicana da burguesia.

Por ocasião dos concordais à l'amiable, os republicanos tricolores tinham realmente sacrificado a pequena burguesia à grande. Por meio da proibição legal do imposto progressivo elevaram este facto isolado a um princípio. Puseram a reforma burguesa ao mesmo nível da revolução proletária. Mas que classe ficava então como sustentáculo da sua república? A grande burguesia, cuja massa era anti-republicana. Se explorava os republicanos do National para consolidar de novo as antigas relações de vida económica, pensou, por outro lado, explorar essas relações sociais novamente consolidadas para restabelecer as formas políticas correspondentes. Logo no princípio de Outubro, Cavaignac viu-se obrigado a nomear Dufaure e Vivien, antigos ministros de Louis-Philippe, para ministros da república, por mais que os desmiolados puritanos do seu próprio partido resmungassem e barafustassem.

A Constituição tricolor, enquanto recusava todo e qualquer compromisso com a pequena burguesia e não sabia prender à nova forma de Estado nenhum outro elemento novo da sociedade, apressava-se, em compensação, a restituir a tradicional intangibilidade a um corpo no qual o velho Estado encontrava os seus defensores mais fanáticos e encarniçados. Elevou a inamovibilidade dos juizes, posta em causa pelo Governo provisório, a lei constituiconal. O rei único que ela destronara surgia agora às centenas nestes inamovíveis inquisidores da legalidade.

A imprensa francesa analisou em múltiplos aspectos as contradições da Constituição do senhor Marrast, por exemplo, o facto de, lado a lado, existirem dois soberanos: a Assembleia Nacional e o presidente, etc, etc.

A ampla contradição desta Constituição consiste porém no seguinte: As classes cuja escravidão social deve eternizar: proletariado, camponeses, pequenos burgueses, ela coloca-as na posse do poder político por meio do sufrágio universal. E a classe cujo velho poder social sanciona, a burguesia, ela retira-lhe as garantias políticas desse poder. Comprime a sua dominação política em condições democráticas que a todo o momento favorecem a vitória das classes inimigas e põem em causa os próprios fundamentos da sociedade burguesa. A umas, exige que não avancem da emancipação política para a social, às outras, que não retrocedam da restauração social para a política.

Estas contradições incomodavam pouco os republicanos burgueses. Na mesma medida em que deixavam de ser indispensáveis, e indispensáveis só o foram enquanto defensores da velha sociedade contra o proletariado revolucionário, caíam, apenas algumas semanas depois da vitória, de uma posição de um partido para a de uma camarilha. E a Constituição manejavam-na eles como uma grande intriga. O que devia ser constituído nela era sobretudo a dominação da camarilha. O presidente devia ser o Cavaignac prolongado e a Assembleia Legislativa uma Constituinte prolongada. Esperavam reduzir o poder político das massas populares a um poder fictício e ser capazes de brincar suficientemente com esse poder fictício para agitar sem descanso perante a maioria da burguesia o dilema das jornadas de Junho: império do National ou império da anarquia.

A obra constitucional, começada a 4 de Setembro, terminou a 23 de Outubro. A 2 de Setembro, a Constituinte decidira não se dissolver até que as leis orgânicas complementares da Constituição estivessem promulgadas. Apesar disso, já em 10 de Dezembro, muito antes do ciclo da sua própria actuação estar encerrado, resolveu chamar à vida a sua criatura mais própria, o presiderite, tão segura estava de saudar na Constituição-homúnculo o filho da sua mãe. À cautela fora estabelecido que, se nenhum dos candidatos alcançasse dois milhões de votos, a eleição passaria da Nação para a Constituinte.

Vãs precauções! O primeiro dia da realização da Constituição foi o último dia da dominação da Constituinte. No abismo da urna devota estava a sua sentença de morte. Procurava o "filho da sua mãe" e encontrou o "sobrinho do seu tio". Saul Cavaignac obteve um milhão de votos, mas David Napoleão obteve seis milhões. Saul Cavaignac foi seis vezes derrotado[60].

O 10 de Dezembro de 1848 foi o dia da insurreição dos camponeses. Só a partir deste dia Fevereiro constituía uma data para os camponeses franceses. O símbolo que exprimia a sua entrada no movimento revolucionário, desajeitado e manhoso, velhaco e ingénuo, grosseiro e sublime, uma superstição calculada, um burlesco patético, um anacronismo genial e pueril, uma travessura histórico-universal, uns hieróglifos indecifráveis para a compreensão dos civilizados — esse símbolo apresentava a fisionomia inconfundível da classe que representa a barbárie no seio da civilização. A república anunciara-se perante ela com o executor de impostos; ela anunciava-se perante a república com o imperador. Napoleão era o único homem que representara, exaustivamente, os interesses e a fantasia da classe camponesa recém-criada em 1789. Ao inscrever o nome dele no frontispício da república, ela declarava guerra para o exterior e no interior fazia valer os seus interesses de classe. Para os camponeses, Napoleão não era uma pessoa mas um programa. Com bandeiras, ao som de música, dirigiam-se às assembleias de voto gritando: plus d'impôts, a bas les riches, à bas la republique, vive l'Empereur. Fora com os impostos, abaixo os ricos, abaixo a república, viva o Imperador. Por detrás do imperador escondia-se a guerra dos camponeses. A república que eles derrubavam com os votos era a república dos ricos.

10 de Dezembro foi o coup d'état[61] dos camponeses, que derrubou o Governo vigente. E a partir desse dia, em que eles tiraram um governo e deram um governo à França, os seus olhos fixaram-se em Paris. Por um momento heróis activos do drama revolucionário, já não podiam ser empurrados para o papel passivo e abúlico do coro.

As restantes classes contribuíram para completar a vitória eleitoral dos camponeses. A eleição de Napoleão significava para o proletariado a destituição de Cavaignac, a queda da Constituinte, a abdicação do republicanismo burguês, a cassação da vitória de Junho. Para a pequena burguesia, Napoleão era a dominação do devedor sobre o credor. Para a maioria da grande burguesia, a eleição de Napoleão era a rotura aberta com a fracção de que, durante um momento, teve de se servir contra a revolução, mas que se lhe tornou insuportável logo que procurou consolidar esta posição momentânea como posição constitucional. Napoleão em vez de Cavaignac era, para ela, a monarquia em vez da república, o princípio da restauração realista, o Orléans timidamente sugerido, a flor-de-lis[62] oculta entre as violetas. Finalmente, o exército votava por Napoleão contra a Guarda Móvel, contra o idílio da paz, pela guerra.

Deste modo, como escrevia a Neue Rheinische Zeitung, o homem mais simples da França adquiria o mais complexo dos significados[63]. Precisamente porque não era nada, podia significar tudo, menos ele mesmo. Todavia, por muito diferente que fosse o sentido do nome Napoleão na boca das diferentes classes, cada uma delas escrevia com este nome no seu boletim de voto: abaixo o partido do National, abaixo Cavaignac, abaixo a Constituinte, abaixo a república burguesa. O ministro Dufaure declarou abertamente na Assembleia Constituinte: o 10 de Dezembro é um segundo 24 de Fevereiro.

A pequena burguesia e o proletariado tinham votado en bloc[64] por Napoleão para votar contra Cavaignac e para, por meio da junção dos votos, arrancar à Constituinte a decisão final. Todavia, a parte mais avançada de ambas as classes apresentou os seus próprios candidatos. Napoleão era o nome colectivo de todos os partidos coligados contra a república burguesa; Ledru-Rollin e Raspail, os nomes próprios: aquele, o da pequena burguesia democrática; este, o do proletariado revolucionário. Os votos em Raspail — os proletários e os seus porta-vozes socialistas declararam-no bem alto — constituiriam uma simples manifestação, outros tantos protestos contra qualquer presidência, isto é, contra a própria Constituição, outros tantos votos contra Ledru-Rollin, o primeiro acto através do qual o proletariado, como partido político autónomo, se separava do partido democrático. Este partido, porém — a pequena burguesia democrática e o seu representante parlamentar, a Montagne — tratava a candidatura de Ledru-Rollin com toda a gravidade com que têm o hábito solene de se enganarem a si próprios. Foi, de resto, a sua última tentativa de se arvorarem em partido autónomo face ao proletariado. A 10 de Dezembro o partido burguês republicano não foi o único derrotado; foram-no também a pequena burguesia democrática e a sua Montagne.

Agora, ao lado de uma Montagne, a França possuía um Napoleão, prova de que ambos eram apenas as caricaturas sem vida das grandes realidades cujos nomes ostentavam. Louis-Napoléon, com o chapéu imperial e águia, não era mais miserável ao parodiar o velho Napoleão do que a Montagne, com as suas frases decalcadas de 1793 e as suas poses demagógicas, ao parodiar a velha Montagne. Assim, a superstição tradicional no 1793 foi abandonada ao mesmo tempo que a superstição tradicional em Napoleão. A revolução só ganhara a sua identidade no momento em que ganhara o seu nome original, próprio, e isso só o pôde fazer no momento em que a classe revolucionária moderna, o proletariado industrial, surgiu, dominante, no seu primeiro plano. Pode dizer-se que o 10 de Dezembro deixara já a Montagne confundida e desconfiada do seu próprio juízo uma vez que, rindo-se, rompera a clássica analogia com a velha revolução por meio de um grosseiro gracejo de camponês.

No dia 20 de Dezembro, Cavaignac demitiu-se do seu cargo e a Assembleia Constituinte proclamou Louis-Napoléon presidente da República. No dia 19 de Dezembro, o último dia da sua dominação exclusiva, a Assembleia rejeitou a proposta de amnistia dos insurrectos de Junho. Revogar o decreto de 27 de Junho por meio do qual, torneando a sentença judicial, havia condenado 15 000 insurrectos à deportação, não seria isso revogar a própria batalha de Junho?

Odilon Barrot, o último ministro de Louis-Philippe, tornou-se o primeiro ministro de Louis-Napoléon. Tal como Louis-Napoléon não datava a sua dominação a partir do 10 de Dezembro mas a partir de um decreto senatorial de 1804, assim ele encontrou um primeiro-ministro que não datava o seu ministério a partir de 20 de Dezembro mas a partir de um decreto real de 24 de Fevereiro. Como herdeiro legítimo de Louis-Philippe, Louis-Napoléon atenuou a mudança de governo mantendo o velho ministério que, aliás, não dispusera de tempo para se desgastar, pois nem arranjara tempo para começar a viver.

Os chefes das fracções burguesas realistas aconselharam-no a essa escolha. A cabeça da velha oposição dinástica, que inconscientemente tinha formado a transição para os republicanos do National, era ainda mais adequada para formar com plena consciência a transição da república burguesa para a monarquia.

Odilon Barrot era o chefe do único velho partido da oposição que, lutando sempre em vão por uma pasta ministerial, ainda não se tinha desgastado. Numa rápida sucessão, a revolução atirava todos os velhos partidos da oposição para os cumes do Estado a fim de que, não só nos actos, mas também na sua própria frase, tivessem de negar e revogar as suas velhas frases e de que, finalmente, reunidos numa repugnante mistura, fossem todos juntos atirados pelo povo para o monturo da história. E nenhuma apostasia foi poupada a este Barrot, essa encarnação do liberalismo burguês que, durante dezoito anos, ocultara a infame vacuidade do seu espírito debaixo do comportamento grave do seu corpo. Se, em momentos isolados, o contraste demasiado gritante entre os cardos do presente e os louros do passado a ele próprio o assustava, um simples olhar para o espelho restituía-lhe a compostura ministerial e a humana admiração por si próprio. A imagem que o espelho lhe devolvia era Guizot, que ele sempre invejou, que sempre o dominara, Guizot em pessoa, mas Guizot com a fronte olímpica de Odilon. O que ele não via eram as orelhas de Midas.

O Barrot de 24 de Fevereiro só se revelou no Barrot de 20 de Dezembro. A ele, o orleanista e voltairiano, juntou-se-lhe, como ministro do Culto, o legitimista e jesuíta Falloux.

Alguns dias mais tarde, o ministério do Interior foi entregue a Léon Faucher, o malthusiano. O Direito, a Religião, a Economia Política! O ministério Barrot continha tudo isto e também uma união de legitimistas e orleanistas. Só faltava o Bonapartista. Bonaparte ocultava ainda o apetite de significar o Napoleão, pois Soulouque ainda não representava o Toussaint-Louverture.

O partido do National foi imediatamente afastado de todos os altos cargos em que se tinha anichado. Prefeitura da polícia, direcção dos correios, procuradoria-geral, mairie[65] de Paris, tudo isto foi ocupado por velhas criaturas da monarquia. Changarnier, o letigimista, recebeu o alto comando unificado da Guarda Nacional do departamento do Sena, da Guarda Móvel e das tropas de linha da primeira divisão militar; Bugeaud, o orleanista, foi nomeado comandante em chefe do exército dos Alpes. Esta mudança de funcionários prosseguiu sem interrupção no governo Barrot. O primeiro acto do seu ministério foi a restauração da velha administração realista [royalistischen]. Num abrir e fechar de olhos a cena oficial transformou-se: cenários, guarda-roupa, linguagem, actores, figurantes, comparsas, pontos, posição dos partidos, motivos do drama, conteúdo da colisão, a situação na sua totalidade. Só a antediluviana Assembleia Constituinte se encontrava ainda no seu posto. Mas a partir da hora em que a Assembleia Nacional tinha instalado o Bonaparte, Bonaparte o Barrot, Barrot o Changarnier, a França saiu do período da constituição republicana para entrar no período da república constituída. E que é que uma Assembleia Constituinte tinha a fazer numa república constituída? Depois do mundo ter sido criado, ao seu criador restava apenas refugiar-se no céu. A Assembleia Constituinte estava resolvida a não seguir o seu exemplo. A Assembleia Nacional era o último asilo do partido dos republicanos burgueses. Se lhe tinham arrancado todas as alavancas do poder executivo, não lhe restava a omnipotência constituinte? O seu primeiro pensamento foi afirmar a todo o custo o posto soberano que detinha e, a partir daqui, reconquistar o terreno perdido. Afastado o ministério Barrot por um ministério doNational, o pessoal realista tinha de abandonar imediatamente os palácios da administração e o pessoal tricolor reentrou em triunfo. A Assembleia Nacional decidiu a queda do ministério, e o próprio ministério forneceu uma oportunidade de ataque tal que nem a Constituinte seria capaz de inventar outra melhor.

Recorde-se o que Louis Bonaparte significava para os camponeses: Fora os impostos! Esteve seis dias sentado na cadeira presidencial e ao sétimo dia, a 27 de Dezembro, o seu ministério propôs a manutenção do imposto sobre o sal, cuja abolição tinha sido decretada pelo Governo provisório. Juntamente com o imposto sobre o vinho, o imposto sobre o sal partilha o privilégio de ser o bode expiatório do velho sistema financeiro francês, especialmente aos olhos da população rural. O ministério Barrot não podia pôr na boca do eleito dos camponeses epigrama mais mordaz para os seus eleitores do que as palavras: restabelecimento do imposto sobre o sal! Com o imposto sobre o sal Bonaparte perdeu o seu sal revolucionário — o Napoleão da insurreição camponesa desfez-se como uma imagem de névoa e nada mais restou do que o grande desconhecido da intriga burguesa realista. E não foi sem intenção que o ministério Barrot fez deste acto, de desilusão desajeitadamente grosseira, o primeiro acto de governo do presidente.

Por seu lado, a Constituinte agarrou avidamente a dupla oportunidade de derrubar o ministério e de se apresentar face ao eleito dos camponeses como defensora dos interesses dos camponeses. Rejeitou a proposta do ministro das Finanças, reduziu o imposto sobre o sal a um terço do seu montante anterior, aumentando assim em 60 milhões um défice do Estado de 560 milhões e esperou tranquilamente depois desse voto de desconfiança a demissão do ministério. Quão pouco compreendia ela o novo mundo que a rodeava e a mudança da sua própria situação. Por detrás do ministério encontrava-se o presidente e por detrás dele encontravam-se 6 milhões que tinham deitado na urna outros tantos votos de desconfiança contra a Constituinte.

A Constituinte devolveu à nação o seu voto de desconfiança. Ridícula troca! Esquecia-se que os seus votos tinham perdido o curso legal. A rejeição do imposto sobre o sal apenas amadureceu a decisão de Bonaparte e do seu ministério de "acabar" com a Assembleia Constituinte. Começou aquele longo duelo que preenche toda a última metade da vida da Constituinte. O 29 de Janeiro, o 21 de Março, o 8 de Maio são as journées, os grandes dias desta crise, outros tantos precursores do 13 de Junho.

Os franceses, por exemplo Louis Blanc, interpretaram o 29 de Janeiro como a manifestação de uma contradição constitucional, a contradição entre uma Assembleia Nacional saída do sufrágio universal, soberana e indissolúvel e um presidente à letra responsável perante ela, na realidade, porém, não só igualmente sancionado pelo sufrágio universal — e além disso reunindo na sua pessoa todos os votos que se repartem e cem vezes se fragmentam por cada um dos membros da Assembleia Nacional —, mas também no pleno gozo de todo o seu poder executivo, sobre o qual a Assembleia Nacional paira apenas como poder moral. Esta interpretação do 29 de Janeiro confunde a linguagem da luta na tribuna, na imprensa, nos clubes, com o seu conteúdo real. Frente à Assembleia Nacional Constituinte, Louis Bonaparte não era apenas um poder constitucional unilateral frente a outro; não era o poder executivo frente ao legislativo; era a própria república burguesa constituída frente aos instrumentos da sua constituição, frente às intrigas ambiciosas e às exigências ideológicas da fracção burguesa revolucionária que a tinha fundado e que agora, perplexa, via que a sua república constituída se assemelhava a uma monarquia restaurada e queria manter pela força o período constituinte com as suas condições, as suas ilusões, a sua linguagem e as suas personagens, e impedir a república burguesa amadurecida de se revelar na sua forma acabada e peculiar. Tal como a Assembleia Nacional Constituinte representava o Cavaignac regressado ao seu seio, assim Bonaparte representava a Assembleia Nacional Legislativa ainda não divorciada dele, isto é, a Assembleia Nacional da república burguesa constituída.

A eleição de Bonaparte só podia explicar-se colocando no lugar de um nome os seus múltiplos significados, repetindo-se a si própria na eleição de uma nova Assembleia Nacional. O 10 de Dezembro tinha anulado o mandato da velha. Portanto, em 29 de Janeiro quem se defrontou não foi o presidente e a Assembleia Nacional da mesma república; foi, sim, a Assembleia Nacional da república que havia de ser e o presidente da república que já era, dois poderes que encarnavam períodos do processo de vida da república inteiramente diferentes; de um lado, a pequena fracção republicana da burguesia que era a única a poder proclamar a república, arrancá-la ao proletariado revolucionário por meio da luta de rua e do reinado do terror e esboçar na Constituição os seus traços ideiais; e do outro, a grande massa realista da burguesia, a única a poder dominar nesta república burguesa constituída, a retirar à Constituição os seus ingredientes ideológicos e a realizar as condições indispensáveis para a sujeição do proletariado por meio da sua legislação e da sua administração.

O temporal que se abateu em 29 de Janeiro tinha reunido os seus elementos durante todo o mês de Janeiro. Por meio do seu voto de desconfiança a Constituinte quis levar o ministério Barrot a demitir-se. Por seu turno, o ministério Barrot propôs à Constituinte que desse a si própria um voto de desconfiança definitivo, resolvesse suicidar-se e decretasse a sua própria dissolução. Por ordem do ministério, Rateau, um dos deputados mais obscuros, apresentou a 6 de Janeiro esta proposta àquela mesma Constituinte que já em Agosto havia decidido não se dissolver até promulgar uma série de leis orgânicas complementares da Constituição. O ministerial Fould declarou-lhe sem rodeios que a sua dissolução era necessária "para o restabelecimento do crédito abalado". Não abalava ela o crédito ao prolongar o provisório e ao pôr de novo em questão com Barrot a Bonaparte e com Bonaparte a república constituída? Barrot, o olímpico, transformado em Orlando Furioso pela perspectiva de se ver de novo despojado da presidência do Conselho de Ministros que desfrutara apenas durante duas semanas, cargo esse a que finalmente tinha deitado a mão e que os republicanos já haviam prorrogado por um decénio, isto é, por dez meses; Barrot, face a esta desgraçada Assembleia, excedia em tirania qualquer tirano. A mais suave das suas palavras era: "com ela não há futuro possível". E, na verdade, ela apenas representava o passado. "Ela é incapaz", acrescentava irónico, "de rodear a república das instituições que lhe são necessárias para a sua consolidação". De facto, assim era! Ao mesmo tempo que na sua oposição exclusiva ao proletariado a sua energia burguesa se perdia, na sua oposição aos realistas a sua exaltação republicana reaviva-se. Deste modo, era duplamente incapaz de consolidar por meio das instituições correspondentes a república burguesa que já não compreendia.

Com a proposta de Rateau, o ministério desencadeou ao mesmo tempo uma tempestade de petições em todo o país. Assim, dia após dia, de todos os cantos da França choviam em cima da Constituinte montes de billets-doux[66] em que se lhe pedia, mais ou menos categoricamente, que se dissolvesse e fizesse o seu testamento. A Constituinte, por seu lado, promovia contra-petições em que se fazia exortar a continuar viva. A luta eleitoral entre Bonaparte e Cavaignac renovou-se como duelo de petições a favor e contra a dissolução da Assembleia Nacional. Tais petições haviam de ser os comentários posteriores do 10 de Dezembro. Esta agitação prosseguiu durante o mês de Janeiro.

No conflito entre a Constituinte e o presidente, aquela não podia remontar às eleições gerais como a sua origem, pois era dela que se apelava para o sufrágio universal. Não podia apoiar-se em nenhum poder regular, pois tratava-se da luta contra o poder legal. Não podia derrubar o ministério por meio de votos de desconfiança, como em 6 e em 26 de Janeiro tentou de novo, pois o ministério não lhe pedia a sua confiança. Restava-lhe apenas uma possibilidade: a da insurreição. As forças armadas da insurreição eram a parte republicana da Guarda Nacional, a Guarda Móvel[67] e os centros do proletariado revolucionário, os clubes. Os guardas móveis, esses heróis das jornadas de Junho, constituíam em Dezembro a força de combate organizada da fracção burguesa republicana, tal como antes de Junho as oficinas nacionais[68] tinham constituído a força de combate organizada do proletariado revolucionário. Assim como a comissão executiva da Constituinte dirigiu o seu brutal ataque contra as oficinas nacionais quando teve de acabar com as reivindicações, tornadas insuportáveis, do proletariado, assim o ministério de Bonaparte dirigiu o seu ataque contra a Guarda Móvel quando teve de acabar com as reivindicações, tornadas insuportáveis, da fracção burguesa republicana. Ordenou a dissolução da Guarda Móvel. Metade dos seus efectivos foi licenciada e atirada para a rua; a outra recebeu uma organização monárquica em vez da sua organização democrática e o seu soldo foi reduzido ao nível do soldo normal das tropas de linha. A Guarda Móvel encontrou-se assim na situação dos insurrectos de Junho, e todos os dias os jornais publicavam confissões públicas em que aquela reconhecia a sua culpa de Junho e imploravam perdão ao proletariado.

E os clubes? A partir do momento em que a Assembleia Constituinte pusera em causa na pessoa de Barrot o presidente, na do presidente a república burguesa constituída e na da república burguesa constituída a própria república burguesa em geral, todos os elementos constituintes da república de Fevereiro, todos os partidos que queriam derrubar a república existente e transformá-la através de um processo violento de regressão na república dos seus interesses de classe e dos seus princípios, cerraram necessariamente fileiras em torno dela. O que acontecera deixara outra vez de acontecer, as cristalizações do movimento revolucionário tinham-se outra vez liquefeito, a república pela qual se lutou era outra vez a república indefinida das jornadas de Fevereiro cuja definição cada partido reservava para si. Por instantes, os partidos voltaram a ocupar as suas velhas posições de Fevereiro sem partilharem as ilusões de Fevereiro. Os republicanos tricolores do National voltaram a apoiar-se nos republicanos democráticos da Reforme e empurraram-nos como paladinos para o primeiro plano da luta parlamentar. Os republicanos democráticos apoiaram-se de novo nos republicanos socialistas — em 27 de Janeiro um manifesto público anunciava a sua reconciliação e a sua união — e preparavam nos clubes o terreno para a insurreição. A imprensa ministerial considerava com razão os republicanos tricolores do National como os insurrectos de Junho ressuscitados. Para se manterem à cabeça da república burguesa punham em questão a própria república burguesa. Em 26 de Janeiro, o ministro Faucher propôs um projecto de lei sobre o direito de associação, cujo primeiro parágrafo dizia: "São proibidos os clubes." Requereu que este projecto de lei fosse posto à discussão com carácter de urgência. A Constituinte rejeitou o pedido de urgência e, em 27 de Janeiro, Ledru-Rollin apresentou uma proposta com 230 assinaturas para se mover um processo ao ministério por violação da Constituição. Mover um processo ao ministério num momento em que um tal acto significava ou a revelação canhestra da impotência do juiz, isto é, da maioria da Câmara, ou um protesto impotente do acusador contra esta própria maioria — tal era o grande trunfo revolucionário que esta Montagne segunda jogaria a partir de agora em cada ponto alto da crise. Pobre Montagne esmagada pelo peso do seu próprio nome!

A 15 de Maio, Blanqui, Barbes, Raspail, etc, tinham tentado fazer saltar a Assembleia Constituinte ao entrarem violentamente na sala de sessões à cabeça do proletariado de Paris. Barrot preparou à mesma Assembleia um 15 de Maio moral ao ditar-lhe a sua autodissolução e ao querer encerrar a sala das sessões. Esta mesma Assembleia tinha encarregado Barrot de proceder a uma enquête contra os acusados de Maio e agora, neste momento, em que ele lhe aparecia como um Blanqui realista, em que ela procurava arranjar aliados contra ele nos clubes, entre os proletários revolucionários, no partido de Blanqui, neste momento, o inexorável Barrot torturava-a com a sua proposta de que os presos de Maio não fossem presentes ao tribunal de jurados mas sim entregues ao Supremo Tribunal, à haut cour, inventado pelo partido do National. É curioso como o medo exacerbado de perder uma pasta ministerial pôde fazer sair da cabeça de um Barrot graças dignas de um Beaumarchais! Depois de longa hesitação, a Assembleia Nacional aceitou a sua proposta. Frente aos autores do atentado de Maio regressava ao seu carácter normal.

Se, frente ao presidente e aos ministros, a Constituinte era compelida à insurreição, o presidente e o ministério, frente à Constituinte, eram empurrados para o golpe de Estado, pois não possuíam nenhum meio legal para a dissolver. Mas a Constituinte era a mãe da Constituição e a Constituição a mãe do presidente. Com o golpe de Estado o presidente rasgava a Constituição e suprimia o seu título jurídico republicano. Era, pois, obrigado a lançar a mão do título jurídico imperial; mas o título jurídico imperial fazia recordar o título orleanista, e ambos empalideciam perante o título jurídico legitimista. A queda da república legal só poderia fazer ascender o seu pólo diametralmente oposto, a monarquia legitimista, num momento em que o partido orleanista era apenas o vencido de Fevereiro e Bonaparte era apenas o vencedor do 10 de Dezembro, e em que ambos, à usurpação republicana, apenas podiam opor os seus títulos monárquicos igualmente usurpados. Os legitimistas, conscientes de que o momento lhes era favorável, conspiravam às claras. Podiam esperar encontrar o seu Monk no general Changarnier. O advento da monarquia branca era anunciado tão abertamente nos seus clubes como o da república vermelha nos clubes proletários.

Com um motim reprimido com felicidade o ministério ter-se-ia visto livre de todas as suas dificuldades. "A legalidade mata-nos", exclamava Odilon Barrot. Sob o pretexto da salut public[69], um motim teria permitido dissolver a Constituinte, violar a Constituição no interesse da própria Constituição. O procedimento brutal de Odilon Barrot na Assembleia Nacional, a proposta de dissolução dos clubes, a demissão ruidosa de 50 prefeitos tricolores e a sua substituição por realistas, a dissolução da Guarda Móvel, os maus tratos infligidos aos seus chefes por Changarnier, a reintegração de Lerminier, um professor impossível já no tempo de Guizot, a tolerância perante as fanfarronadas legitimistas, eram outras tantas provocações ao motim. Mas o motim manteve-se mudo. Era da Constituinte que esperava o sinal e não do ministério.

Finalmente, veio o 29 de Janeiro, o dia em que se decidiria da proposta apresentada por Mathieu (de la Drôme) de rejeição incondicional da proposta de Rateau. Legitimistas, orleanistas, bonapartistas, Guarda Móvel, Montagne, clubes, todos conspiravam nesse dia, cada um deles tanto contra o pretenso inimigo como contra o pretenso aliado. Bonaparte, do alto do seu cavalo, passou revista a uma parte das tropas na praça da Concórdia, Changarnier fazia teatro com um dispêndio de manobras estratégicas; a Constituinte encontrou o seu edifício das sessões ocupado militarmente. Ela, o centro onde se entrecruzavam todas as esperanças, receios, expectativas, fermentações, tensões, conspirações, ela, a Assembleia de ânimo de leão, não vacilou nem um momento ao aproximar-se mais do que nunca do espírito do mundo (Weltgeist). Assemelhava-se àquele combatente que não só receava utilizar as suas próprias armas como também se sentia obrigado a manter intactas as armas do adversário. Com desprezo pela sua morte assinou a sua própria sentença de morte e rejeitou a rejeição incondicional da proposta Rateau. Mesmo em estado de sítio, estabeleceu limites a uma actividade constituinte cujo quadro necessário fora o estado de sítio de Paris. Vingou-se de um modo digno dela ao impor no dia seguinte, uma enquête sobre o susto que no dia 29 de Janeiro o ministério lhe tinha metido. A Montagne demonstrou a sua falta de energia revolucionária e de senso político ao deixar-se utilizar pelo partido do National como arauto nesta grande comédia de intrigas. O partido do National fizera o último esforço para continuar a manter, na república constituída, o monopólio da dominação que detivera durante o período da formação da república burguesa. E fracassara.

Se na crise de Janeiro se tratara da existência da Constituinte, na crise de 21 de Março tratava-se da existência da Constituição: ali, do pessoal do partido nacional; aqui, do seu ideal. Escusado é dizer que os republicanos honestos abandonavam mais facilmente o sentimento elevado da sua ideologia do que o gozo mundano do poder governamental.

Em 21 de Março, na ordem do dia da Assembleia Nacional encontrava-se o projecto de lei de Faucher contra o direito de associação: a proibição dos clubes. O artigo 8 da Constituição garantia a todos os franceses o direito de se associarem. A interdição dos clubes era, portanto, uma inequívoca violação da Constituição, e a própria Constituinte devia canonizar a profanação dos seus santos. Mas os clubes eram os pontos de reunião, os centros de conspiração do proletariado revolucionário. A própria Assembleia Nacional tinha proibido a coligação dos operários contra os seus burgueses. E que eram os clubes senão uma coligação de toda a classe operária contra toda a classe burguesa, a formação de um Estado operário contra o Estado burguês? Não eram eles também outras tantas assembleias constituintes do proletariado e outros tantos destacamentos do exército da revolta prontos para o combate? O que acima de tudo a Constituição devia constituir era a dominação da burguesia. Era, portanto, evidente que a Constituição só podia entender por direito de associação as associações que se harmonizavam com a dominação da burguesia, isto é, com a ordem burguesa. Se, por uma questão de decoro teórico, ela se exprimia em termos gerais, não estavam lá o governo e a Assembleia Nacional para a interpretar e a aplicar nos casos especiais? E, se na época primordial da república, os clubes tinham sido efectivamente proibidos pelo estado de sítio, por que não deviam ser proibidos pela lei na república regulamentada, constituída? A esta interpretação prosaica da Constituição os republicanos tricolores nada tinham a opor senão a frase altissonante da Constituição. Uma parte deles, Pagnerre, Duclerc, etc, votou a favor do ministério dando-lhe assim a maioria. A outra parte, com o arcanjo Cavaignac e o padre da Igreja Marrast à frente, retirou-se, depois do artigo sobre a interdição dos clubes ter passado, juntamente com Ledru-Rollin e a Montagne para um gabinete especial e "reuniram-se em conselho". A Assembleia Nacional estava paralisada, já não dispunha do número de votos suficiente para tomar decisões. No gabinete o senhor Crémieux lembrou oportunamente que dali o caminho conduzia directamente para a rua e que já não se estava em Fevereiro de 1848 mas em Março de 1849. Subitamente iluminado, o partido do National regressou à sala das sessões da Assembleia Nacional. Atrás dele, enganada de novo, veio a Montagne que, constantemente atormentada por apetites revolucionários, mas também constantemente ávida de possibilidades constitucionais, se sentia cada vez mais no seu lugar atrás dos republicanos burgueses e não à frente do proletariado revolucionário. Assim terminou a comédia. E a própria Constituinte tinha decretado que a violação da letra da Constituição era a única realização consequente do seu espírito.

Restava apenas regulamentar um ponto: a relação da república constituída com a revolução europeia, a sua política externa. Em 8 de Maio de 1849 reinava uma desusada agitação na Assembleia Constituinte cujo prazo de vida terminaria dentro de breves dias. O ataque do exército francês a Roma, a retirada a que os romanos o haviam obrigado, a sua infâmia política e a sua vergonha militar, o vil assassínio da república romana pela república francesa, a primeira campanha de Itália do segundo Bonaparte, tudo isto estava na ordem do dia. A Montagne jogara de novo o seu grande trunfo, Ledru-Rollin pusera sobre a mesa do presidente a sua inevitável acusação contra o ministério, e desta vez também contra Bonaparte, por violação da Constituição.

O motivo do 8 de Maio repetiu-se mais tarde como motivo do 13 de Junho. Expliquemo-nos sobre a expedição romana.

Já em meados de Novembro de 1848 Cavaignac tinha enviado uma frota de guerra a Civitavecchia para proteger o papa, recolhê-lo a bordo e trazê-lo para França. O papa[70] devia abençoar a república honesta e assegurar a eleição de Cavaignac para presidente. Com o papa Cavaignac queria pescar os padres, com os padres os camponeses e com os camponeses a presidência. Sendo uma propaganda eleitoral na sua finalidade imediata, a expedição de Cavaignac era ao mesmo tempo um protesto e uma ameaça contra a revolução romana. Continha em germe a intervenção da França em favor do papa.

Esta intervenção em favor do papa com a Áustria e Nápoles contra a república romana, fora decidida na primeira sessão do conselho de ministros de Bonaparte, em 23 de Dezembro. Falloux no ministério, era o papa em Roma e na Roma... do papa. Bonaparte já não precisava do papa para se tornar o presidente dos camponeses, mas precisava da conservação do papa para conservar os camponeses do presidente. Fora a credulidade daqueles que o tinha feito presidente. Com a fé perdiam a credulidade e com o papa a fé. E os orleanistas e os legitimistas coligados que dominavam em nome de Bonaparte! Antes de restaurar o rei, tinha-se de restaurar o poder que sagra os reis. Abstraindo do seu monarquismo: sem a velha Roma submetida à sua dominação temporal não havia papa, sem papa catolicismo, sem catolicismo religião francesa e sem religião que aconteceria à velha sociedade francesa? A hipoteca que o camponês possui sobre os bens celestiais garante a hipoteca que o burguês possui sobre os bens do camponês. A revolução romana era, pois, um atentado à propriedade, à ordem burguesa, terrível como a revolução de Junho. A dominação burguesa restabelecida em França exigia a restauração da dominação papal em Roma. Finalmente, nos revolucionários romanos derrotava-se os aliados dos revolucionários franceses; a aliança das classes contra-revolucionárias na República Francesa constituída completava-se necessariamente na aliança da República Francesa com a Santa Aliança, com Nápoles e com a Áustria. A decisão do Conselho de Ministros de 23 de Dezembro não era segredo para a Constituinte. Já a 8 de Janeiro, Ledru-Rollin havia interpelado o ministério a esse respeito, o ministério negara e a Assembleia Nacional passara à ordem do dia. Acreditava ela nas palavras do ministério? Sabemos que passara todo o mês de Janeiro a dar-lhe votos de desconfiança. Mas se o ministério estava no seu papel ao mentir, também estava no papel da Constituinte fingir que acreditava nas mentiras daquele e assim salvar os dehors[71] republicanos.

Entretanto, o Piemonte fora derrotado. Carlos Alberto abdicara e o exército austríaco batia às portas da França. Ledru-Rollin fez uma interpelação vigorosa. O ministério demonstrou que na Itália do Norte não tinha feito outra coisa senão prosseguir a política de Cavaignac, e Cavaignac a política do Governo provisório, isto é, de Ledru-Rollin. Desta vez até recolheu um voto de confiança da Assembleia Nacional e foi autorizado a ocupar temporariamente um ponto conveniente na Alta Itália para apoiar as negociações pacíficas com a Áustria sobre a questão da integridade do território da Sardenha e sobre a questão romana. Como se sabe, o destino da Itália decide-se nos campos de batalha da Itália do Norte. Por isso, com a Lombardia e o Piemonte Roma caíra, ou seja, a França tinha de declarar guerra à Áustria e desse modo à contra-revolução europeia. A Assembleia Nacional tomava subitamente o ministério Barrot pelo velho Comité de Salvação Pública[72]? Ou a si mesma pela Convenção? Para quê, pois, a ocupação militar de um ponto da Alta Itália? Atrás deste véu transparente escondia-se a expedição contra Roma.

Em 14 de Abril, sob o comando de Oudinot embarcaram 14 000 homens para Civitavecchia. Em 16 de Abril, a Assembleia Nacional concedeu ao ministério um crédito de 1 200 000 francos a fim de financiar durante três meses a manutenção de uma frota de intervenção no Mediterrâneo. Deste modo, facultou ao ministério todos os meios para intervir contra Roma enquanto fingia que lhe permitia intervir contra a Áustria. Não via o que o ministério fazia, limitava-se a escutar o que ele dizia. Nem em Israel se encontraria uma tal fé. A Constituinte tinha caído na situação de não poder saber o que a república constituída tinha de fazer.

Finalmente, a 8 de Maio representou-se a última cena da comédia: a Constituinte exigiu ao ministério medidas rápidas que reconduzissem a expedição italiana ao objectivo que lhe fora posto. Nessa mesma tarde, Bonaparte fez publicar uma carta no Moniteur em que expressava a Oudinot o seu maior reconhecimento. A 11 de Maio, a Assembleia Nacional rejeitou a acusação contra o mesmo Bonaparte e o seu ministério. E a Montagne que, em vez de rasgar esta teia de mentiras, toma tragicamente a comédia parlamentar a fim de nela representar o papel de Fouquier-Tinville, deixou assim ver, por debaixo da pele de leão tomada de empréstimo à Convenção, a sua pele de cordeiro pequeno-burguesa com que nascera!

A última metade da vida da Constituição resume-se assim: em 29 de Janeiro confessa que as fracções burguesas realistas são os superiores naturais da república constituída por ela; em 21 de Março, que a violação da Constituição é a realização desta; e em 11 de Maio, que a aliança passiva da República Francesa com os povos em luta, bombasticamente anunciada, significa a sua aliança activa com a contra-revolução europeia.

Esta mísera Assembleia retirou-se do palco depois de, dois dias antes da festa do seu aniversário, a 4 de Maio, ter dado a si mesma a satisfação de rejeitar a proposta de amnistia para os insurrectos de Junho. Desfeito o seu poder; odiada mortalmente pelo povo; repudiada, mal-tratada, desprezivelmente posta de parte pela burguesia de que era instrumento; obrigada, na segunda metade da sua vida, a negar a primeira; despojada das suas ilusões republicanas; sem grandes criações no passado; sem esperança no futuro; o seu corpo vivo morrendo aos poucos — só era capaz de galvanizar o seu próprio cadáver evocando sem cessar e revivendo a vitória de Julho, afirmando-se através da sempre repetida maldição dos malditos. Vampiro que vivia do sangue dos insurrectos de Junho!

Deixou atrás de si o défice do Estado aumentado pelos custos da insurreição de Junho, pela perda do imposto sobre o sal, pelas indemnizações que ela concedeu aos donos das plantações pela abolição da escravatura negra, pelas despesas com a expedição romana, pela perda do imposto sobre o vinho, cuja abolição ela decidiu quando já estava a dar o último suspiro, como um velho manhoso, feliz por atirar para as costas do seu sorridente herdeiro uma comprometedora dívida de honra.

Desde o princípio de Março começara a agitação eleitoral para a Assembleia Nacional Legislativa. Dois grupos principais se enfrentavam: o partido da ordem[73] e o partido democrata-socialista ou partido vermelho. Entre ambos situavam-se os amigos da Constituição, nome sob o qual os republicanos tricolores do National procuravam apresentar um partido. O partido da ordem constituiu-se imediatamente a seguir às jornadas de Junho. Porém, só depois do 10 de Dezembro lhe ter permitido livrar-se da camarilha do National, dos republicanos burgueses, se revelou o segredo da sua existência: a coligação dos orleanistas e legitimistas num partido. A classe burguesa cindia-se em duas grandes fracções que alternadamente — a grande propriedade fundiária sob a monarquia restaurada[74], a aristocracia financeira e a burguesia industrial sob a monarquia de Julho — tinham mantido o monopólio da dominação. Bourbon era o nome régio da influência preponderante dos interesses de uma das fracções; Orléans, o nome régio da influência preponderante dos interesses da outra fracção. O império anónimo da república era o único em que ambas as fracções podiam afirmar com igual poder o interesse de classe comum sem abandonar a sua rivalidade recíproca. Se a república burguesa não podia ser senão a dominação completa e nitidamente revelada de toda a classe burguesa, podia ela ser outra coisa senão a dominação dos orleanistas completados pelos legitimistas e a dos legitimistas completados pelos orleanistas, a síntese da restauração e da monarquia de Julho?. Os republicanos burgueses do National não representavam nenhuma grande fracção da sua classe assente em bases económicas. Possuíam apenas o significado e o título histórico de terem feito valer, sob a monarquia — frente a ambas as fracções burguesas que só compreendiam o seu regime particular —, o regime geral da classe burguesa, o império anónimo da república, que idealizavam e adornavam com arabescos antigos, mas onde saudavam, acima de tudo, a dominação da sua camarilha. Se o partido do National duvidou do seu próprio juízo quando viu os realistas coligados no topo da república fundada por ele, também aqueles não se iludiam menos sobre o facto da sua dominação unificada. Não compreendiam que, se cada uma das suas fracções, considerada isoladamente, era realista o produto da sua combinação química tinha de ser necessariamente republicano e que a monarquia branca e a azul tinham forçosamente de se neutralizar na república tricolor. Obrigadas, pela sua oposição ao proletariado revolucionário e às classes de transição, que convergiam cada vez mais para aquele como centro, a recorrer a todas as suas forças unidas e a conservar a organização dessa força unida, cada uma das fracções do partido da ordem teve de fazer valer, perante os apetites de restauração e a arrogância da outra, a dominação comum, isto é, a forma republicana da dominação burguesa. Assim, vemos estes realistas acreditar a princípio numa restauração imediata; mais tarde conservar, espumando de raiva, a forma republicana com invectivas de morte contra ela e, finalmente, confessar que só na república se podem suportar e que adiam a restauração por tempo indefinido. O gozo da própria dominação unificada reforçou cada uma das duas fracções e tornou-as ainda mais incapazes e renitentes a subordinarem-se uma à outra, isto é, a restaurar a monarquia.

No seu programa eleitoral, o partido da ordem proclamava abertamente a dominação da classe burguesa, isto é a manutenção das condições de vida da sua dominação, da propriedade, da família, da religião, da ordeml Apresentava a sua dominação de classe e as condições da sua dominação de classe naturalmente como a dominação da civilização e como as condições necessárias da produção material e das relações sociais de intercâmbio daí decorrentes. Dispondo de imensos meios financeiros, o partido da ordem organizou as suas sucursais na França inteira, tinha ao seu serviço todos os ideólogos da velha sociedade, dispunha da influência do poder do governo vigente, possuía um exército gratuito de vassalos em toda a massa dos pequenos burgueses e dos camponeses que, estando ainda distantes do movimento revolucionário, viam nos grandes dignitários da propriedade os defensores naturais da sua pequena propriedade e dos seus pequenos preconceitos; representado em todo o país por um sem-número de reizinhos, podia castigar como insurreição a rejeição dos seus candidatos, despedir os operários rebeldes, os moços de lavoura, os criados, os caixeiros, os funcionários dos caminhos-de-ferro, os escriturários que se lhe opunham, numa palavra, todos os funcionários a ele civilmente (bürgerlich) subordinados. Finalmente, podia alimentar aqui e ali, a ilusão de que fora a Constituinte republicana que impedira o Bonaparte do 10 de Dezembro de revelar as suas forças miraculosas. Mas ao referir o partido da ordem não considerámos os bonapartistas. Estes não constituíam uma fracção séria da classe burguesa, mas uma colecção de velhos e supersticiosos inválidos e de jovens e cépticos aventureiros. O partido da ordem venceu nas eleições, enviando assim para a Assembleia Legislativa uma grande maioria.

Face à classe burguesa contra-revolucionária coligada, as partes da pequena burguesia e da classe camponesa já revolucionadas tinham naturalmente de se unir aos grandes dignitários dos interesses revolucionários, ao proletário revolucionário. Vimos como as derrotas parlamentares empurraram os porta-vozes democráticos da pequena burguesia no parlamento, isto é, a Montagne, para os porta-vozes socialistas do proletariado e como a verdadeira pequena burguesia fora do Parlamento foi igualmente empurrada para os verdadeiros proletários pelos concordais à l'amiable, pela imposição brutal dos interesses burgueses e pela bancarrota. Em 27 de Janeiro a Montagne e os socialistas haviam festejado a sua reconciliação. No grande banquete de Fevereiro de 1849 repetiram esse acto de união. O partido social e o democrático, o partido dos operários e o dos pequenos burgueses, uniram-se no partido social-democrático, isto é, no partido vermelho.

Momentaneamente paralisada pela agonia que se seguiu às jornadas de Junho, a República Francesa vivera desde o levantamento do estado de sítio, isto é, desde o 19 de Outubro, uma série contínua de excitações febris. Primeiro a luta pela presidência; depois a luta do presidente com a Constituinte; a luta pelos clubes; o processo de Bourges[75], o qual, por contraste com as pequenas figuras do presidente, dos realistas coligados, dos republicanos honestos, da Montagne democrática e dos doutrinários socialistas do proletariado, fez aparecer os verdadeiros revolucionários deste como monstros do princípio do mundo só explicáveis por algum dilúvio que os tivesse deixado na superfície da sociedade ou por precederem algum dilúvio social; a agitação eleitoral; a execução dos assassinos de Bréa[76]; os contínuos processos à imprensa; a violenta ingerência policial do governo nos banquetes; as descaradas provocações realistas; a exibição dos retratos de Louis Blanc e Caussidière no pelourinho; a luta sem quartel entre a república constituída e a Constituinte que a cada momento fazia recuar a revolução para o seu ponto de partida, que a cada momento tornava o vencedor em vencido, o vencido em vencedor e num abrir e fechar de olhos trocava as posições dos partidos e das classes, os seus divórcios e as suas ligações; a rápida marcha da contra-revolução europeia; a gloriosa luta dos húngaros; os levantamentos armados alemães; a expedição romana; a ignominiosa derrota do exército francês às portas de Roma — neste torvelinho, neste tormento de histórico desassossego, neste dramático fluxo e refluxo de paixões revolucionárias, esperanças, desilusões, as diferentes classes da sociedade francesa tinham de contar por semanas as suas épocas de desenvolvimento, tal como anteriormente as tinham contado por meios séculos. Uma parte considerável dos camponeses e das províncias estava revolucionada. Não estavam só desiludidos com Napoleão; o partido vermelho oferecia-lhes em vez de um nome, o conteúdo, em vez de uma ilusória isenção de impostos, o reembolso dos milhares de milhões pagos aos legitimistas, a regulamentação das hipotecas e a abolição da usura.

O próprio exército estava contagiado pela febre da revolução. Votara em Bonaparte pela vitória e ele dava-lhe a derrota. Nele votara pelo pequeno cabo, por trás de quem se encontra o grande general revolucionário, e ele devolvia-lhe os grandes generais, por trás de quem se oculta o cabo de parada. Não havia dúvida que o partido vermelho, isto é, o partido democrático coligado, tinha de festejar, se não a vitória, pelo menos grandes triunfos: que Paris, que o exército, que uma grande parte das províncias votaria por ele. Ledru-Rollin, o chefe da Montagne foi eleito por cinco departamentos. Nenhum chefe do partido da ordem conseguiu uma tal vitória, nenhum nome do partido proletário propriamente dito. Estas eleições revelam-nos o segredo do partido democrático-socialista. Se a Montagne, o paladino parlamentar da pequena burguesia democrática, por um lado, se vira forçada a unir-se aos doutrinários socialistas do proletariado, o proletariado, por seu turno, obrigado pela terrível derrota material de Junho a erguer-se de novo por meio de vitórias intelectuais, ainda incapaz, dado o desenvolvimento das restantes classes, de lançar mão da ditadura revolucionária, teve de se lançar nos braços dos doutrinários da sua emancipação, dos fundadores de seitas socialistas —, por outro lado, os camponeses revolucionários, o exército e as províncias colocaram-se por trás da Montagne que, deste modo, se transformou em chefe do campo revolucionário e que, pelo seu entendimento com os socialistas, tinha eliminado todos os antagonismos no partido revolucionário. Na última metade da vida da Constituinte, ela representou o pathos republicano desta e fez esquecer os seus pecados cometidos durante o Governo provisório, durante a Comissão Executiva, durante as jornadas de Junho. Na mesma medida em que o partido do National, de acordo com a sua natureza vacilante, se deixava esmagar pelo ministério monárquico, o partido da Montanha, afastado durante o todo-poder do National, crescia e impunha-se como o representante parlamentar da revolução. De facto, o partido do National apenas dispunha de umas personalidades ambiciosas e de umas mentirolas idealistas para opor às outras fracções, às realistas. O partido da Montanha, pelo contrário, representava uma massa flutuante entre a burguesia e o proletariado, cujos interesses materiais exigiam instituições democráticas. Comparados com os Cavaignac e os Marrast, Ledru-Rollin e a Montagne encontravam-se, por isso, na verdade da revolução e da consciência desta importante situação retiravam uma coragem tanto maior quanto mais a expressão da energia revolucionária se limitava a invectivas parlamentares, à apresentação de acusações, a ameaças, ao levantar da voz, a trovejantes discursos e extremismos verbais que não iam além de frases. Os camponeses encontravam-se numa situação semelhante à dos pequenos burgueses e tinham praticamente as mesmas reivindicações sociais a apresentar. Todas as camadas médias da sociedade, na medida em que eram arrastadas para o movimento revolucionário, tinham necessariamente de encontrar em Ledru-Rollin o seu herói. Ledru-Rollin era a personagem da pequena burguesia democrática. Frente ao partido da ordem, os reformadores desta ordem, meio conservadores, meio revolucionários e utopistas por inteiro, tiveram a princípio de ser empurrados para a vanguarda.

O partido do National, os "amigos da Constituição quand même[77]", os républicains purs et simples[78] foram totalmente derrotados nas eleições. Apenas uma insignificante minoria deles foi enviada à Câmara Legislativa, os seus chefes mais notórios, incluindo Marrast, o redactor en chef e o Orfeu da república honesta, desapareceram da cena.

Em 28 de Maio, reuniu-se a Assembleia Legislativa; em 11 renovou-se a colisão de 8 de Maio; em nome da Montagne, Ledru-Rollin apresentou uma acusação contra o presidente e o ministério por violação da Constituição devido ao bombardeamento de Roma. Em 12 de Junho, a Assembleia Legislativa rejeitou a acusação tal como a Assembleia Constituinte o havia feito em 11 de Maio. Desta vez, porém, o proletariado arrastou a Montagne para a rua, não ainda para a luta de rua, mas apenas para uma procissão de rua. Basta dizer que a Montagne se encontrava à cabeça deste movimento para se saber que o movimento foi derrotado e que o Junho de 1849 foi uma caricatura, tão ridícula quanto indigna, do Junho de 1848. A grande retirada de 13 de Junho só foi ofuscada pelo ainda maior relatório da batalha de Changarnier, o grande homem que o partido da ordem tinha arranjado à pressa. Cada época social precisa dos seus grandes homens e, quando não os encontra, inventa-os, como diz Helvétius.

Em 20 de Dezembro, existia apenas uma das metades da república burguesa constituída: o presidente; em 28 de Maio, foi completada pela outra metade, pela Assembleia Legislativa. O Junho de 1848 inscrevera a república burguesa em constituição no registo de nascimento da História com uma indescritível batalha contra o proletariado; o Junho de 1849 fez outro tanto com a república burguesa constituída por meio de uma comédia inqualificável com a pequena burguesia. Junho de 1849 foi a Némesis de Junho de 1848. Em Junho de 1849 não foram derrotados os operários, mas derrubados os pequenos burgueses que se encontravam entre eles e a revolução. Junho de 1849 não foi a tragédia sangrenta entre o trabalho assalariado e o capital, mas uma peça cheia de prisões e lamentável entre o devedor e o credor. O partido da ordem tinha vencido, era todo-poderoso, tinha agora de mostrar o que era.



[43] Em francês no texto: Montanha. A par do nome francês, Marx usa também no original a palavra alemã (Berg). Neste último caso traduzimos directamente no texto por Montanha. (Nota da edição portuguesa.)
[44] Trata-se dos democratas republicanos pequeno-burgueses e dos socialistas pequeno-burgueses, partidários do jornal francês La Reforme (A Reforma), publicado em Paris entre 1843 e 1850. Defendiam a instauração da república e a realização de reformas democráticas e sociais.
[45] Em 16 de Abril de 1848 em Paris uma manifestação pacífica de operários que iam entregar uma petição ao Governo Provisório sobre a "organização do trabalho" e a "abolição da exploração do homem peio homem" foi detida pela Guarda Nacional burguesa, especialmente mobilizada para este fim.
[46] No original: Haupt-und Staatsaktion. Esta expressão pode ter dois sentidos principais. Como se refere na nota 83 das Collected Works. Karl Marx/Frederik Engels, volume 10. Progress Publishers, Moscow 1978: "Primeiro, no século XVII e na primeira metade do século XVIII designava peças representadas por companhias alemãs ambulantes. As peças eram tragédias históricas, bastante informes, bombásticas e ao mesmo tempo grosseiras e burlescas. Segundo, este termo pode designar acontecimentos políticos de primeiro plano. Foi usado neste sentido por uma corrente da ciência histórica alemã, conhecida por 'historiografia objectiva'. Leopold Ranke foi um dos seus principais representantes. Considerava Haupt-und Staatsakion como o assunto principal." (Nota da edição portuguesa.)
[47] Em francês no texto: a nulidade circunspecta. (Nota da edição Portuguesa.)
[48] Trata-se do editorial do Journal des débats, de 28 de Agosto de 1848. Journal des débats politiques et littéraires (Jornal dos Debates Políticos e Literários): jornal burguês francês fundado em Paris em 1789. Durante a monarquia de Julho foi um jornal governamental, órgão da burguesia orleanista. Durante a revolução de 1848 o jornal exprimia as opiniões da burguesia contra-revolucionária, o chamado "partido da ordem".
[49] Em francês no texto: taberneiros. (Nota da edição portuguesa.)
[50] Em francês no texto: loja, isto é, os lojistas. (Nota da edição portuguesa.)
[51] Em francês no texto: inquérito. (Nota da edição portuguesa.)
[52] Em francês no texto: concordatas amigáveis. (Nota da edição portuguesa.)
[53] Janízaros: infantaria regular dos sultões turcos, criada no século XIV, e que se distinguia pela sua extraordinária crueldade.
[54] Em francês no texto: gentil-homem, cavalheiro. (Nota da edição portuguesa.)
[55] Em latim no texto: Cartago tem de ser destruída. (Nota da edição portuguesa.)
[56] Em francês no texto: glória. (Nota da edição portuguesa.)
[57] Em francês no texto: terceiro-estado. (Nota da edição portuguesa.)
[58] Em francês no texto: sem frase, sem rodeios. (Nota da edição portuguesa.)
[59] O primeiro projecto de Constituição foi apresentado à Assembleia Nacional em 19 de Junho de 1848.
[60] Segundo a lenda bíblica, Saul, primeiro rei hebreu, abateu na luta contra os filisteus milhares de inimigos, e o seu escudeiro David, protegido de Saul, dezenas de milhares. Depois da morte de Saul, David tornou-se rei dos hebreus.
[61] Em francês no texto: golpe de Estado. (Nota da edição portuguesa.)
[62] Flor-de-lis: emblema heráldico da monarquia dos Bourbons; violeta: emblema dos bonapartistas.
[63] Marx refere-se ao comunicado de Paris de 18 de Dezembro, assinado com o sinal do correspondente Ferdinand Wolff, na Neue Rheinische Zeitung, n.° 174, de 21 de Dezembro de 1848. Possivelmente as palavras indicadas pertencem ao próprio Marx, que submeteu todo o material da revista a uma redacção cuidadosa.
[64] Em francês no texto: em bloco. (Nota da edição portuguesa.)
[65] Em francês no texto: Câmara Municipal. (Nota da edição portuguesa.)
[66] Em francês no texto: cartas de amor. (Nota da edição portuguesa.)
[67] Ver o presente tomo, p. 224. (Nota da edição portuguesa.)
[68] Ver o presente tomo, p. 225. (Nota da edição portuguesa.)
[69] Em francês no texto: salvação pública. (Nota da edição portuguesa.)
[70] Pio IX.
[71] Em francês no texto: as aparências. (Nota da edição portuguesa.)
[72] Comité de Salvação Pública: órgão central do governo revolucionário da República Francesa, fundado em Abril de 1793. O Comité desempenhou um papel excepcionalmente importante na luta contra a contra-revolução interna e externa. Convenção: assembleia nacionaí da França no período da revolução burguesa francesa do século XVIII.
[73] Partido da ordem: partido que surgiu em 1848 como partido da grande burguesia conservadora, constituía uma coligação das duas fracções monárquicas da França: os legitimistas e os orleanistas; de 1849 até ao golpe de Estado de 1851 ocupou uma posição dirigente na Assembleia Legislativa da Segunda República.
[74] Restauração de 1814-1830: período do segundo reinado da dinastia dos Bourbons em França. O regime reaccionário dos Bourbons, que representava os interesses da corte e dos clericais, foi derrubado pela revolução de Julho de 1830.
[75] Em Bourges realizou-se entre 7 de Março e 3 de Abril o julgamento dos participantes nos acontecimentos de 15 de Maio de 1848 (ver a nota 120). Barbes foi condenado a prisão perpétua, e Blanqui a 10 anos de prisão. Albert, De Flotte, Sobrier, Raspail e os restantes foram condenados a diversas penas de prisão e à deportação nas colónias.
[76] O general Bréa, que comandava uma parte das tropas no esmagamento da insurreição de Junho do proletariado de Paris, foi morto pelos insurrectos junto das portas de Fontainebleau em 25 de Junho de 1848. Em relação com isto foram executados dois participantes na insurreição.
[77] Em francês no texto: apesar de tudo. (Nota da edição portuguesa.)
[78] Em francês no texto: republicanos puros e simples. (Nota da edição portuguesa.)

February 25, 1848, granted the republic to France, June 25 thrust the revolution upon her. And revolution, after June, meant: overthrow of bourgeois society, whereas before February it meant: overthrow of the form of government.

The June fight was led by the republican faction of the bourgeoisie; with victory political power necessarily fell to its share. The state of siege laid, gagged Paris, unresisting, at its feet, and in the provinces there prevailed a moral state of siege, the threatening, brutal arrogance of victorious bourgeoisie and the unleashed property fanaticism of the peasants. No danger, therefore, from below!

The crash of the revolutionary might of the workers was simultaneously a crash of the political influence of the democratic republicans; that is, of the republicans in the sense of the petty bourgeoisie, represented in the Executive Commission by Ledru-Rollin, in the Constituent National Assembly by the part of the Montagne and in the press by the “Réforme.” Together with the bourgeois republicans, they had conspired on April 16 against the proletariat, together with them they had warred against it in the June days. Thus they themselves blasted the background against which their party stood out as a power, for the petty bourgeoisie can preserve a revolutionary attitude toward the bourgeoisie only as long as the proletariat stands behind it. The proletarians were dismissed. The sham alliance which the bourgeois republicans, reluctantly and with reservations, concluded with them during the epoch of the Provisional Government and the Executive Commission was openly broken by the bourgeois republicans. Spurned and repulsed as allies, they sank down to subordinate henchmen of the tricolor men, from whom they could not wring any concessions but whose domination they had to support whenever it, and with it the republic, seemed to be put in jeopardy by the anti-republican bourgeois factions. Lastly, these factions, the Orléanists and the Legitimists, were from the very beginning in a minority in the Constituent National Assembly. Before the June days they dared to react only under the mask of bourgeois republicanism – the June victory allowed for a moment the whole of bourgeois France to greet its savior in Cavaignac; and when, shortly after the June days, the anti-republican party regained independence, the military dictatorship and the state of siege in Paris permitted it to put out its antennae only very timidly and cautiously.

Since 1830 the bourgeois republican faction, in the person of its writers, its spokesmen, its men of talent and ambition, its deputies, generals, bankers, and lawyers, had grouped itself around a Parisian journal, the National. In the provinces this journal had its branch newspapers. The coterie of the National was the dynasty of the tricolor republic. It immediately took possession of all state offices – of the ministries, the prefecture of police, the post-office directorship, the prefectures, the higher army officer posts – which had now become vacant. At the head of the executive power stood its general, Cavaignac; its editor in chief, Marrast, became permanent president of the Constituent National Assembly. As master of ceremonies he at the same time did the honors, in his salons, of the respectable republic.

Even revolutionary French writers, awed, as it were, by the republican tradition, have strengthened the mistaken belief that the royalists dominated the Constituent National Assembly. On the contrary, after the June days, the Constituent Assembly remained the exclusive representative of bourgeois republicanism, and it emphasized this aspect all the more resolutely, the more the influence of the tricolor republicans collapsed outside the Assembly. If the question was one of maintaining the form of the bourgeois republic, then the Assembly had the votes of the democratic republicans at its disposal; if one of maintaining the content, then even its mode of speech no longer separated it from the royalist bourgeois factions, for it is the interests of the bourgeoisie, the material conditions of its class rule and class exploitation, that form the content of the bourgeois republic.

Thus it was not royalism but bourgeois republicanism that was realized in the life and work of this Constituent Assembly, which in the end did not die, nor was killed, but decayed.

For the entire duration of its rule, for as long as it gave its grand performance of state on the proscenium, [26] an unbroken sacrificial feast was being staged in the background – the continual sentencing by courts – martial of the captured June insurgents or their deportation without trial. The Constituent Assembly had the tact to admit that in the June insurgents it was not judging criminals but wiping out enemies.

The first act of the Constituent National Assembly was to set up a commission of inquiry into the events of June and of May 15, and into the part played by the socialist and democratic party leaders during these days. The inquiry was directly aimed at Louis Blanc, Ledru-Rollin, and Caussidière. The bourgeois republicans burned with impatience to rid themselves of these rivals. They could have entrusted the venting of their spleen to no more suitable object than M. Odilon Barrot, the former chief of the dynastic opposition, the incarnation of liberalism, the nullité grave self-important non-entity, the thoroughly shallow person who not only had a dynasty to revenge, but even had to settle accounts with the revolutionists for thwarting his premiership. A sure guarantee of his relentlessness. This Barrot was therefore appointed chairman of the commission of inquiry, and he constructed a complete legal process against the February Revolution which may be summarized thus: March 17, demonstration; April 16, conspiracy; May 15, attempt; June 23, civil war! Why did he not stretch his erudite criminologist’s researches as far back as February 24? The Journal des Débats inquired – that is, to the foundation of Rome. The origin of states gets lost in a myth that one may believe but may not discuss. Louis Blanc and Caussidière were handed over to the courts. The National Assembly completed the work of purging itself which it had begun on May 15.

The plan formed by the Provisional Government, and again taken up by Goudchaux, of taxing capital – in the form of a mortgage tax was rejected by the Constituent Assembly; the law that limited the working day to ten hours was repealed; imprisonment for debt was once more introduced; the large section of the French population that can neither read nor write was excluded from jury service. Why not from the franchise also? Journals again had to deposit caution money. The right of association was restricted.

No one had fought more fanatically in the June days for the salvation of property and the restoration of credit than the Parisian petty bourgeois – keepers of cafes and restaurants, marchands de vins wine merchants, small traders, shopkeepers, handicraftsman, etc. The shopkeeper had pulled himself together and marched against the barricades in order to restore the traffic which leads from the streets into the shop. But behind the barricade stood the customers and the debtors; before it the creditors of the shop. And when the barricades were thrown down and the workers were crushed and the shopkeepers, drunk with victory, rushed back to their shops, they found the entrance barred by a savior of property, an official agent of credit, who presented them with threatening notices: Overdue promissory note! Overdue house rent! Overdue bond! Doomed shop! Doomed shopkeeper!

Salvation of property! But the house they lived in was not their property; the shop they kept was not their property; the commodities they dealt in were not their property. Neither their business, nor the plate they ate from, nor the bed they slept on belonged to them any longer. It was precisely from them that this property had to be saved – for the house-owner who let the house, for the banker who discounted the promissory note, for the capitalist who made the advances in cash, for the manufacturer who entrusted the sale of his commodities to these retailers, for the wholesale dealer who had credited the raw materials to these handicraftsman. Restoration of credit! But credit, having regained strength, proved itself a vigorous and jealous god; it turned the debtor who could not pay out of his four walls, together with wife and child, surrendered his sham property to capital, and threw the man himself into the debtors’ prison, which had once more reared its head threateningly over the corpses of the June insurgents.

The petty bourgeois saw with horror that by striking down the workers they had delivered themselves without resistance into the hands of their creditors. Their bankruptcy, which since February had been dragging on in chronic fashion and had apparently been ignored, was openly declared after June.

Their nominal property had been left unassailed as long as it was of consequence to drive them to the battlefield in the name of property. Now that the great issue with the proletariat had been settled, the small matter of the épicier could in turn be settled. In Paris the mass of overdue paper amounted to over 21,000,000 francs; in the provinces to over 1,000,000. The proprietors of more than 7,000 Paris firms had not paid their rent since February.

While the National Assembly had instituted an inquiry into political guilt, going as far back as the end of February, the petty bourgeois on their part now demanded an inquiry into civil debts up to February 24. They assembled en masse in the Bourse hall and threateningly demanded, on behalf of every businessman who could prove that his insolvency was due solely to the stagnation caused by the revolution and that his business had been in good condition on February 24, an extension of the term of payment by order of a commerce court and the compulsory liquidation of creditors claims in consideration of a moderate percentage payment. As a legislative proposal, this question was dealt with in the National Assembly in the form of concordats à l’amiable amicable agreements. The Assembly vacillated; then it suddenly learned that at the same time, at the Porte St. Denis, thousands of wives and children of the insurgents had prepared an amnesty petition.

In the presence of the resurrected specter of June, the petty bourgeoisie trembled and the National Assembly retrieved its implacability. The concordats à l’amiable, the amicable settlements between debtor and creditor, were rejected in their most essential points.

Thus long after the democratic representatives of the petty bourgeois had been repulsed within the National Assembly by the republican representatives of the bourgeoisie, this parliamentary breach received its civil, its real economic meaning by the petty bourgeois as debtors being handed over to the bourgeois as creditors. A large part of the former were completely ruined and the remainder were allowed to continue their businesses only under conditions which made them absolute serfs of capital. On August 22, 1848, the National Assembly rejected the concordats à l’amiable; on September 19, 1848, in the midst of the state of siege, Prince Louis Bonaparte and the prisoner of Vincennes, the Communist Raspail, were elected representatives of Paris. [27] The bourgeoisie, however, elected the usurious moneychanger and Orléanist Fould. From all sides at once, therefore, open declaration of war against the Constituent National Assembly, against bourgeois republicanism, against Cavaignac.

It needs no argument to show how the mass bankruptcy of the Paris petty bourgeois was bound to produce aftereffects far transcending the circle of its immediate victims, and to convulse bourgeois commerce once more, while the state deficit was swollen anew by the costs of the June insurrection, and state revenues sank continuously through the hold-up of production, the restricted consumption, and the decreasing imports. Cavaignac and the National Assembly could have recourse to no other expedient than a new loan, which forced them still further under the yoke of the finance aristocracy.

While the petty bourgeois had harvested bankruptcy and liquidation by order of court as the fruit of the June victory, Cavaignac’s Janisseries, the Mobile Guards, found their reward in the soft arms of the courtesans, and as “the youthful saviors of society” they received all kinds of homage in the salons of Marrast, the knight of the tricolor, who served simultaneously as the Amphitryon and the troubadour of the respectable republic. Meantime, this social favoritism and the disproportionately higher pay of the Mobile Guard embittered the army, while all those national illusions with which bourgeois republicanism, through its journal, the National, had been able to attach to itself a part of the army and peasant class under Louis Philippe vanished at the same time. The role of mediator which Cavaignac and the National Assembly played in North Italy in order, together with England, to betray it to Austria – this one day of rule destroyed eighteen years of opposition on the part of the National. No government was less national than that of the National, none more dependent on England, and, under Louis Philippe, the National lived by paraphrasing daily Cato’s dictum: Carthaginem esse delendam Carthage must be destroyed none was more servile toward the Holy Alliance, and from a Guizot the National had demanded the tearing up of the Treaties of Vienna. [28] The irony of history made Bastide, the ex-editor for foreign affairs of the National, Minister of Foreign Affairs of France, so that he might refute every one of his articles in every one of his dispatches.

For a moment, the army and the peasant class had believed that, simultaneously with the military dictatorship, war abroad and gloire had been placed on the order of the day in France. But Cavaignac was not the dictatorship of the saber over bourgeois society; he was the dictatorship of the bourgeoisie by the saber. And of the soldier they now required only the gendarme. Under the stern features of antique-republican resignation Cavaignac concealed humdrum submission to the humiliating conditions of his bourgeois office. L’argent n’a pas de maître! Money has no master! He, as well as the Constituent Assembly in general, idealized this old election cry of the Third Estate by translating it into political speech: The bourgeoisie has no king; the true form of its rule is the republic.

And the “great organic work” of the Constituent National Assembly consisted in working out this form, in producing a republican constitution. The rechristening of the Christian calendar as a republican one, of the saintly Bartholomew as the saintly Robespierre, made no more change in the wind and weather than this constitution made or was supposed to make in bourgeois society. Where it went beyond a change of costume, it put on record the existing facts. Thus it solemnly registered the fact of the republic, the fact of universal suffrage, the fact of a single sovereign National Assembly in place of two limited constitutional chambers. Thus it registered and regulated the fact of the dictatorship of Cavaignac by replacing the stationary, irresponsible hereditary monarchy with an ambulatory, responsible, elective monarchy, with a quadrennial presidency. Thus it elevated no less to an organic law the fact of the extraordinary powers with which the National Assembly, after the horrors of May 15 and June 25, had prudently invested its president in the interest of its own security. The remainder of the constitution was a work of terminology. The royalist labels were torn off the mechanism of the old monarchy and republican labels stuck on. Marrast, former editor in chief of the National, now editor in chief of the constitution, acquitted himself of this academic task not without talent.

The Constituent Assembly resembled the Chilean official who wanted to regulate property relations in land more firmly by a cadastral survey just at the moment when subterranean rumblings announced the volcanic eruption that was to hurl away the land from under his very feet. While in theory it accurately marked off the forms in which the rule of the bourgeoisie found republican expression, in reality it held its own only by the abolition of all formulas, by force sans phrase without any exceptions, by the state of siege. Two days before it began its work on the constitution, it proclaimed an extension of the state of siege. Formerly constitutions had been made and adopted as soon as the social process of revolution had reached a point of rest, the newly formed class relationships had established themselves, and the contending factions of the ruling class had had recourse to a compromise which allowed them to continue the struggle among themselves and at the same time to keep the exhausted masses of the people out of it. This constitution, on the contrary, did not sanction any social revolution – it sanctioned the momentary victory of the old society over the revolution.

The first draft of the constitution, [29] made before the June days, still contained the droit au travail, the right to work, the first clumsy formula wherein the revolutionary demands of the proletariat are summarized. It was transformed into the droit à l’assistance, the right to public relief, and what modern state does not feed its paupers in some form or other? The right to work is, in the bourgeois sense, an absurdity, a miserable, pious wish. But behind the right to work stands the power over capital; behind the power over capital, the appropriation of the means of production, their subjection to the associated working class, and therefore the abolition of wage labor, of capital, and of their mutual relations. Behind the “right to work” stood the June insurrection. The Constituent Assembly, which in fact put the revolutionary proletariat hors la loi, outside the law, had on principle to throw the proletariat’s formula out of the constitution, the law of laws; had to pronounce its anathema upon the “right to work.” But it did not stop there. As Plato banned the poets from his republic, so it banished forever from its republic the progressive tax. And the progressive tax is not only a bourgeois measure, which can be carried out within the existing relations of production to a greater or less degree, it was the only means of binding the middle strata of bourgeois society to the “respectable” republic, of reducing the state debt, of holding the anti-republican majority of the bourgeoisie in check.

In the matter of the concordats à l’amiable, the tricolor republicans had actually sacrificed the petty bourgeoisie to the big bourgeoisie. They elevated this isolated fact to a principle by the legal prohibition of a progressive tax. They put bourgeois reform on the same level as proletarian revolution. But what class then remained as the mainstay of their republic? The big bourgeoisie. And its mass was anti-republican. While it exploited the republicans of the National in order to consolidate again the old relations of economic life, it thought, on the other hand, of exploiting the once more consolidated social relations in order to restore the political forms that corresponded to them. As early as the beginning of October, Cavaignac felt compelled to make Dufaure and Vivien, previously ministers of Louis Philippe, ministers of the republic, however much the brainless puritans of his own party growled and blustered.

While the tricolor constitution rejected every compromise with the petty bourgeoisie and was unable to win the attachment of any new social element to the new form of government, it hastened, on the other hand, to restore its traditional inviolability to a body that constituted the most hard – bitten and fanatical defender of the old state. It raised the irremovability of judges, which had been questioned by the Provisional Government, to an organic law. The one king whom it had removed rose again, by the score, in these irremovable inquisitors of legality.

The French press has analyzed from numerous aspects the contradictions of M. Marrast’s constitution, for example, the coexistence of two sovereigns, the National Assembly and the President, etc., etc.

The comprehensive contradiction of this constitution, however, consists in the following: The classes whose social slavery the constitution is to perpetuate – proletariat, peasantry, petty bourgeoisie – it puts in possession of political power through universal suffrage. And from the class whose old social power it sanctions, the bourgeoisie, it withdraws the political guarantees of this power. It forces the political rule of the bourgeoisie into democratic conditions, which at every moment help the hostile classes to victory and jeopardize the very foundations of bourgeois society. From the first group it demands that they should not go forward from political to social emancipation; from the others that they should not go back from social to political restoration.

These contradictions perturbed the bourgeois republicans little. To the extent that they ceased to be indispensable – and they were indispensable only as the protagonists of the old society against the revolutionary proletariat – they fell, a few weeks after their victory, from the position of a party to that of acoterie. And they treated the constitution as a big intrigue. What was to be constituted in it was, above all, the rule of the coterie. The President was to be a protracted Cavaignac; the Legislative Assembly a protracted Constituent Assembly. They hoped to reduce the political power of the masses of the people to a semblance of power, and to be able to make sufficient play with this sham power itself to keep continually hanging over the majority of the bourgeoisie the dilemma of the June days: realm of the National or realm of anarchy.

The work on the constitution, which was begun on September 4, was finished on October 23. On September 2 the Constituent Assembly had decided not to dissolve until the organic laws supplementing the constitution were enacted. Nonetheless, it now decided to bring to life the creation that was most peculiarly its own, the President, on December 4, long before the circle of its own activity was closed. So sure was it of hailing, in the homunculus of the constitution, the son of his mother. As a precaution it was provided that if none of the candidates received two million votes, the election should pass over from the nation to the Constituent Assembly.

Futile provisions! The first day of the realization of the constitution was the last day of the rule of the Constituent Assembly. In the abyss of the ballot box lay its sentence of death. It sought the “son of his mother” and found the “nephew of his uncle”. Saul Cavaignac slew one million votes, but David Napoleon slew six million. Saul Cavaignac was beaten six times over.

December 10, 1848, was the day of the peasant insurrection. Only from this day does the February of the French peasants date. The symbol that expressed their entry into the revolutionary movement, clumsily cunning, knavishly naive, doltishly sublime, a calculated superstition, a pathetic burlesque, a cleverly stupid anachronism, a world-historic piece of buffoonery and an indecipherable hieroglyphic for the understanding of the civilized – this symbol bore the unmistakable physiognomy of the class that represents barbarism within civilization. The republic had announced itself to this class with the tax collector; it announced itself to the republic with the emperor. Napoleon was the only man who had exhaustively represented the interests and the imagination of the peasant class, newly created in 1789. By writing his name on the frontispiece of the republic, it declared war abroad and the enforcing of its class interests at home. Napoleon was to the peasants not a person but a program. With banners, with beat of drums and blare of trumpets, they marched to the polling booths shouting: Plus d’impôts, à bas les riches, à bas la république, vive l’Empereur! No more taxes, down with the rich, down with the republic, long live the emperor! Behind the emperor was hidden the peasant war. The republic that they voted down was the republic of the rich.

December 10 was the coup d’état of the peasants, which overthrew the existing government. And from that day on, when they had taken a government from France and given a government to her, their eyes were fixed steadily on Paris. For a moment active heroes of the revolutionary drama, they could no longer be forced back into the inactive and spineless role of the chorus.

The other classes helped to complete the election victory of the peasants. To the proletariat, the election of Napoleon meant the deposition of Cavaignac, the overthrow of the Constituent Assembly, the dismissal of bourgeois republicanism, the cessation of the June victory. To the petty bourgeoisie, Napoleon meant the rule of the debtor over the creditor. For the majority of the big bourgeoisie, the election of Napoleon meant an open breach with the faction of which it had had to make use, for a moment, against the revolution, but which became intolerable to it as soon as this faction sought to consolidate the position of the moment into a constitutional position. Napoleon in place of Cavaignac meant to this majority the monarch, in place of the republic, the beginning of the royalist restoration, a sly hint at Orléans, the fleur-de-lis hidden beneath the violets. [30] Lastly, the army voted for Napoleon against the Mobile Guard, against the peace idyll, for war.

Thus it happened, as the Neue Rheinische Zeitung stated, that the most simple-minded man in France acquired the most multifarious significance. Just because he was nothing, he could signify everything save himself. Meanwhile, different as the meaning of the name Napoleon might be in the mouths of the different classes, with this name each wrote on his ballot: Down with the party of the National, down with Caivaignac, down with the Constituent Assembly, down with the bourgeois republic. Minister Dufaure publicly declared in the Constituent Assembly: December 10 is a second February 24.

Petty bourgeoisie and proletariat had voted en bloc for Napoleon, in order to vote against Cavaignac and, by pooling their votes, to wrest the final decision from the Constituent Assembly. The more advanced sections of the two classes, however, put forward their own candidates. Napoleon was the collective name of all parties in coalition against the bourgeois republic; Ledru- Rollin and Raspail were the proper names, the former of the democratic petty bourgeoisie, the latter of the revolutionary proletariat. The votes for Raspail – the proletarians and their socialist spokesmen declared it loudly – were to be merely a demonstration, so many protests against any presidency, that is, against the constitution itself, so many votes against Ledru-Rollin, the first act by which the proletariat, as an independent political party, declared its separation from the democratic party. This party, on the other hand – the democratic petty bourgeoisie and its parliamentary representative, the Montagne [31] – treated the candidature of Ledru-Rollin with all the seriousness with which it is in the habit of solemnly duping itself. For the rest, this was its last attempt to set itself up as an independent party, as against the proletariat. Not only the republican bourgeois party, but also the democratic petty bourgeoisie and its Montagne were beaten on December 10.

France now possessed a Napoleon side by side with a Montagne, proof that both were only the lifeless caricatures of the great realities whose names they bore. Louis Napoleon, with the emperor’s hat and the eagle, parodied the old Napoleon no more miserably than the Montagne, with its phrases borrowed from 1793 and its demagogic poses, parodied the old Montagne. Thus the traditional 1793 superstition was stripped off at the same time as the traditional Napoleon superstition. The revolution had come into its own only when it had won its own, its original name, and it could do that only when the modern revolutionary class, the industrial proletariat, came dominatingly into its foreground. One can say that December 10 dumfounded the Montagne and caused it to grow confused in its own mind, if for no other reason than because that day laughingly cut short with a contemptuous peasant jest the classical analogy to the old revolution.

On December 20 Cavaignac laid down his office and the Constituent Assembly proclaimed Louis Napoleon President of the Republic, On December 19, the last day of its sole rule, it rejected the proposal for amnesty for the June insurgents. Would revoking the decree of June 27, under which it had condemned 15,000 insurgents to deportation without judicial sentence, not have meant revoking the June battle itself.

Odilon Barrot, the last minister of Louis Philippe, became the first minister of Louis Napoleon. Just as Louis Napoleon dated his rule, not from December 10, but from a decree of the Senate of 1804, so he found a prime minister who did not date his ministry from December 20, but from a royal decree of February 24. [32] As the legitimate heir of Louis Philippe, Louis Napoleon mollified the change of government by retaining the old ministry, which, moreover, had not had time to be worn out, since it had not found time to embark upon life.

The leaders of the royalist bourgeois factions advised him in this choice. The head of the old dynastic opposition, who had unconsciously constituted the transition to the republicans of the National, was still more fitted to constitute with full consciousness the transition from the bourgeois republic to the monarchy.

Odilon Barrot was the leader of the one old opposition party which, always fruitlessly struggling for ministerial portfolios, had not yet been used up. In rapid succession the revolution hurled all the old opposition parties to the top of the state, so that they would have to deny, to repudiate their old phrases not only in deeds but even in words, and might finally be flung all together, combined in a repulsive commixture, on the dung heap of history by the people. And no apostasy was spared this Barrot, this incarnation of bourgeois liberalism, who for eighteen years had hidden the rascally vacuity of his mind behind the serious demeanor of his body. If at certain moments the far too striking contrast between the thistles of the present and the laurels of the past startled the man himself, one glance in the mirror gave him back his ministerial composure and human self-admiration. What beamed at him from the mirror was Guizot, whom he had always envied, who had always mastered him, Guizot himself, but Guizot with the Olympian forehead of Odilon. What he overlooked were the ears of Midas.

The Barrot of February 24 first became manifest in the Barrot of December 20. Associated with him, the Orléanist and Voltairean, was the Legitimist and Jesuit Falloux, as Minister of Public Worship.

A few days later, the Ministry of Home Affairs was given to Léon Faucher, the Malthusian. Law, religion, and political economy! The ministry of Barrot contained all this and, in addition, a combination of Legitimists and Orléanists. Only the Bonapartist was lacking. Bonaparte still hid his longing to signify Napoleon, for Soulouque did not yet play Toussaint Louverture.

The party of the National was immediately relieved of all the higher posts, where it had entrenched itself. The prefecture of police, the post-office directorship, the procuratorship general, the mairie mayor’s office of Paris were all filled with old creatures of the monarchy. Changarnier, the Legitimist, received the unified supreme command of the National Guard of the Department of the Seine, of the Mobile Guard and the troops of the line of the first military division; Bugeaud, the Orléanist, was appointed commander in chief of the Alpine Army. This change of officials continued uninterrupted under the Barrot government. The first act of his ministry was the restoration of the old royalist administration. The official scene was at once transformed – scenery, costumes, speech, actors, supers, mutes, prompters, the position of the parties, the theme of the drama, the content of the conflict, the whole situation. Only the premundane Constituent Assembly remained in its place. But from the hour when the National Assembly had installed Bonaparte, Bonaparte Barrot, and Barrot Changarnier, France stepped out of the period of republican constitution into the period of the constituted republic. And what place was there for a Constituent Assembly in a constituted republic? After the earth had been created, there was nothing else for its creator to do but flee to heaven. The Constituent Assembly was determined not to follow his example; the National Assembly was the last asylum of the party of the bourgeois republicans. If all levers of executive power had been wrested from it, was there not left to its constituent omnipotence. Its first thought was to hold under all circumstances the position of sovereignty it occupied, and thence to reconquer the lost ground. Once the Barrot Ministry was displaced by a ministry of the National, the royalist personnel would have to vacate the palaces of the administration forthwith and the tricolor personnel would triumphantly move in again. The National Assembly resolved on the overthrow of the ministry and the ministry itself offered an opportunity for the attack, a better one than the Constituent Assembly itself could have invented.

It will be remembered that for the peasants Louis Bonaparte signified: No more taxes! Six days he sat in the President’s chair, and on the seventh, on December 27, his ministry proposed the retention of the salt tax, whose abolition the Provisional Government had decreed. The salt tax shares with the wine tax the privilege of being the scapegoat of the old French financial system, particularly in the eyes of the country folk. The Barrot Ministry could not have put into the mouth of the peasants’ choice a more mordant epigram on his electors than the words: Restoration of the salt tax! With the salt tax, Bonaparte lost his revolutionary salt – the Napoleon of the peasant insurrection dissolved like an apparition, and nothing remained but the great unknown of royalist bourgeois intrigue. And not without intention did the Barrot Ministry make this act of tactlessly rude disillusionment the first governmental act of the President.

The Constituent Assembly, for its part, eagerly seized the double opportunity of overthrowing the ministry and, as against the elected choice of the peasantry, setting itself up as the representative of peasant interests. It rejected the proposal of the finance minister, reduced the salt tax to a third of its former amount, thus increasing by sixty millions a state deficit of five hundred and sixty millions, and, after this vote of no confidence, calmly awaited the resignation of the ministry. So little did it comprehend the new world that surrounded it and its own changed position. Behind the ministry stood the President and behind the President stood six millions who had placed in the ballot box as many votes of no confidence in the Constituent Assembly. The Constituent Assembly gave the nation back its no-confidence vote. Absurd exchange! It forgot that its votes were no longer legal tender. The rejection of the salt tax only matured the decision of Bonaparte and his ministry to finish the Constituent Assembly. There began that long duel which lasted the entire latter half of the life of the Constituent Assembly. January 29, March 31, and May 8 are the journées, the great days of this crisis, just so many forerunners of June 13.

Frenchmen, for example Louis Blanc, have construed January 29 as the date of the emergence of a constitutional contradiction, the contradiction between a sovereign, indissoluble National Assembly born of universal suffrage and a President who, to go by the wording, was responsible to the Assembly, but who, to go by reality, was not only. similarly sanctioned by universal suffrage and in addition united in his own person all the votes that were split up a hundred times and distributed among the individual members of the National Assembly, but who was also in full possession of the whole executive power, above which the National Assembly hovered as a merely moral force. This interpretation of January 29 confuses the language of the struggle on the platform, through the press, and in the clubs with its real content. Louis Bonaparte as against the Constituent National Assembly – that was not one unilateral constitutional power as against another; that was not the executive power as against the legislative. That was the constituted bourgeois republic itself as against the intrigues and ideological demands of the revolutionary faction of the bourgeoisie that had founded it and was now amazed to find that its constituted republic looked like a restored monarchy, and now desired forcibly to prolong the constituent period with its conditions, its illusions, its language, and its personages and to prevent the mature bourgeois republic from emerging in its complete and peculiar form. As the Constituent National Assembly represented Cavaignac, who had fallen back into its midst, so Bonaparte represented the Legislative National Assembly that had not yet been divorced from him, that is, the National Assembly of the constituted bourgeois republic.

The election of Bonaparte could become explicable only, by putting in the place of the one name its manifold meanings, by repeating itself in the election of the new National Assembly. The mandate of the old was annulled by December 10. Thus on January 29 it was not the President and the National Assembly of the same republic that were face to face; it was the National Assembly of the republic that was coming into being and the President of the republic that had come into being, two powers that embodied quite different periods in the life process of the republic; the one, the small republican faction of the bourgeoisie that alone could proclaim the republic, wrest it from the revolutionary proletariat by street fighting and a reign of terror, and draft its ideal basic features in the constitution; and the other, the whole royalist mass of the bourgeoisie that alone could rule in this constituted bourgeois republic, strip the constitution of its ideological trimmings, and realize by its legislation and administration the indispensable conditions for the subjugation of the proletariat.

The storm which broke on January 29 gathered its elements during the whole month of January. The Constituent Assembly wanted to drive the Barrot Ministry to resign by its no-confidence vote. The Barrot Ministry, on the other hand, proposed to the Constituent Assembly that it should give itself a definitive no-confidence vote, decide on suicide, and decree its own dissolution. On January 6, Rateau, one of the most obscure deputies, at the order of the ministry brought this motion before the Constituent Assembly that in August had determined not to dissolve until it had enacted a whole series of organic laws supplementing the constitution. Fould, the ministerialist, bluntly declared to it that its dissolution was necessary “for the restoration of the deranged credit.” And did it not derange credit when it prolonged the provisional stage and, with Barrot, again called Bonaparte in question, and, with Bonaparte, the constituted republic Barrot the

Olympian became a raving Roland at the prospect of seeing the premiership he had finally pocketed, which the republicans had already withheld from him for ten months, again torn from him after scarcely two weeks’ enjoyment of it. Barrot, confronting this wretched Assembly, out – tyrannized the tyrant. His mildest words were, “No future is possible with it.” And actually it did represent only the past. “It is incapable,” he added ironically, “of providing the republic with the institutions which are necessary for its consolidation.” Incapable indeed! Its bourgeois energy was broken simultaneously with its exceptional antagonism to the proletariat, and with its antagonism to the royalists its republican exuberance lived anew. Thus it was doubly incapable of consolidating the bourgeois republic, which it no longer comprehended, by means of the corresponding institutions.

Simultaneously with Rateau’s motion the ministry evoked a storm of petitions throughout the land, and from all corners of France came flying daily at the head of the Constituent Assembly bundles of billets-doux love-letters in which it was more or less categorically requested to dissolve and make its will. The Constituent Assembly, on its side, called forth counter-petitions in which it caused itself to be requested to remain alive. The election struggle between Bonaparte and Cavaignac was renewed as a petition struggle for and against the dissolution of the National Assembly; the petitions were to be belated commentaries on December 10. This agitation continued during the whole of January.

In the conflict between the Constituent Assembly and the President, the former could not refer back to the general election as its origin, for the appeal was from the Assembly to universal suffrage. It could base itself on no regularly constituted power, for the issue was the struggle against the legal power. It could not overthrow the ministry by no-confidence votes, as it again essayed to do on January 6 and 26, for the ministry did not ask for its confidence. Only one possibility was left to it, that of insurrection. The fighting forces of the insurrection were the republican part of the National Guard, the Mobile Guard, and the centers of the revolutionary proletariat, the clubs. The Mobile Guard, those heroes of the June days, in December formed the organized fighting force of the republican faction of the bourgeoisie, just as before June the national ateliers had formed the organized fighting force of the revolutionary proletariat. As the Executive Commission of the Constituent Assembly directed its brutal attack on the national ateliers, when it had to put an end to the now unbearable pretensions of the proletariat, so the ministry of Bonaparte directed its attack on the Mobile Guard, when it had to put an end to the now unbearable pretensions of the republican faction of the bourgeoisie. It ordered the disbanding of the Mobile Guard. One half of it was dismissed and thrown on the street, the other was organized on monarchist instead of democratic lines, and its pay was reduced to the usual pay of troops of the line. The Mobile Guard found itself in the position of the June insurgents and every day the press carried public confessions in which it admitted its blame for June and implored the proletariat to forgive it.

And the clubs? From the moment when the Constituent Assembly in the person of Barrot called in question the President, and in the person of the President the constituted bourgeois republic, and in the person of the constituted bourgeois republic the bourgeois republic in general, all the constituent elements of the February Republic necessarily ranged themselves around it – all the parties that wished to overthrow the existing republic and by a violent retrograde process to transform it into a republic of their class interests and principles. The scrambled eggs were unscrambled, the crystallisations of the revolutionary movement had again become fluid, the republic that was being fought for was again the indefinite republic of the February days, the defining of which each party reserved to itself. For a moment the parties again took up their old February positions, without sharing the illusions of February. The tricolor republicans on the National again leaned on the democratic republicans of the Réforme and pushed them as protagonists into the foreground of the parliamentary struggle. The democratic republicans again leaned on the socialist republicans – on January 27 a public manifesto announced their reconciliation and union – and prepared their insurrectional background in the clubs. The ministerial press rightly treated the tricolor republicans of the National as the resurrected insurgents of June. In order to maintain themselves at the head of the bourgeois republic, they called in question the bourgeois republic itself. On January 26 Minister Faucher proposed a law on the right of association, [33] the first paragraph of which read: “Clubs are forbidden.” He moved that this bill immediately be discussed as urgent. The Constituent Assembly rejected the motion of urgency, and on January 27 Ledru-Rollin put forward a proposition, with 230 signatures appended to it, to impeach the ministry for violation of the constitution. The impeachment of the ministry at times when such an act was a tactless disclosure of the impotence of the judge, to wit, the majority of the Chamber, or an impotent protest of the accuser against this majority itself – that was the great revolutionary trump that the latter-day Montagne played from now on at each high spot of the crisis. Poor Montagne! crushed by the weight of its own name!

On May 15 Blanqui, Barbès, Raspall, etc., had attempted to break up the Constituent Assembly by forcing an entrance into its hall at the head of the Paris proletariat. Barrot prepared a moral May 15 for the same Assembly when he wanted to dictate its self-dissolution and close the hall. The same Assembly had commissioned Barrot to make the inquiry against the May accused, and now, at the moment when he appeared before it like a royalist Blanqui, when it sought for allies against him in the clubs, among the revolutionary proletarians, in the party of Blanqui – at this moment the relentless Barrot tormented it with the proposal to withdraw the May prisoners from the Court of Assizes with its jury and hand them over to the High Court, the haute cour devised by the party of the National. Remarkable how wild fear for a ministerial portfolio could pound out of the head of a Barrot points worthy of a Beaumarchais! After much vacillation the National Assembly accepted his proposal. As against the makers of the May attempt, it reverted to its normal character.

If the Constituent Assembly, as against the President and the ministers, was driven to insurrection, the President and the ministers, as against the Constituent Assembly, were driven to a coup d’état, for they had no legal means of dissolving it. But the Constituent Assembly was the mother of the constitution and the constitution was the mother of the President. With the coup d’état the President tore up the constitution and extinguished his republican legal title. He was then forced to pull out his imperial legal title, but the imperial legal title woke up the Orléanist legal title and both paled before the Legitimist legal title. The downfall of the legal republic could shoot to the top only its extreme antipode, the Legitimist monarchy, at a moment when the Orléanist party was still only the vanquished of February and Bonaparte was still only the victor of December 10, when both could oppose to republican usurpation only their likewise usurped monarchist titles. The Legitimists were aware of the propitiousness of the moment; they conspired openly. They could hope to find their Monk [34] in General Changarnier. The imminence of the white monarchy was as openly announced in their clubs as was that of the red republic in the proletarian clubs.

The ministry would have escaped all difficulties by a happily suppressed rising. “Legality is the death of us,” cried Odilon Barrot. A rising would have allowed it, under the pretext of salut public public safety, to dissolve the Constituent Assembly, to violate the constitution in the interests of the constitution itself. The brutal behavior of Odilon Barrot in the National Assembly, the motion for the dissolution of the clubs, the tumultuous removal of fifty tricolor prefects and their replacement by royalists, the dissolution of the Mobile Guard, the ill treatment of their chiefs by Changarnier, the reinstatement of Lerminier, the professor who was impossible even under Guizot, the toleration of the Legitimist braggadocio – all these were just so many provocations to mutiny. But the mutiny remained mute. It expected its signal from the Constituent Assembly and not from the ministry.

Finally came January 29, the day the decision was to be taken on the motion of Mathieu (de la Dr6me) for unconditional rejection of Rateau’s motion. Legitimists, Orléanists, Bonapartists,

Mobile Guard, Montagne, clubs – all conspired on this day, each just as much against the ostensible enemy as against the ostensible ally. Bonaparte, on horseback, mustered a part of the troops on the Place de la Concorde; Changarnier play-acted with a display of strategic maneuvers; the Constituent Assembly found its building occupied by the military. This Assembly, the center of all the conflicting hopes, fears, expectations, ferments, tensions, and conspiracies, this lionhearted Assembly did not falter for a moment when it came nearer to the Weltgeist world spirit than ever. It was like the fighter who not only feared to make use of his own weapons but also felt himself obliged to maintain the weapons of his opponent unimpaired. Scorning death, it signed its own death warrant and rejected the unconditional rejection of the Rateau motion. Itself in a state of siege, it set limits to a constituent activity whose necessary frame had been the state of siege of Paris. It revenged itself worthily when on the following day it instituted an inquiry into the fright that the ministry had given it on January 29. In this great comedy of intrigues the Montagne showed its lack of revolutionary energy and political understanding by allowing itself to be used by the party of the National as the crier in the contest. The party of the National had made its last attempt to continue to maintain, in the constituted republic, the monopoly of rule it had possessed during the inchoate period of the bourgeois republic. It was shipwrecked.

While in the January crisis it was a question of the existence of the Constituent Assembly, in the crisis of March 21 it was a question of the existence of the constitution – there of the personnel of the National party, here of its ideal. There is no need to point out that the respectable republicans surrendered the exaltation of their ideology more cheaply than the worldly enjoyment of governmental power.

On March 21 Faucher’s bill against the right of association: the suppression of the clubs was on the order of the day in the National Assembly. Article 8 of the constitution guarantees to all Frenchmen the right to associate. The prohibition of the clubs was therefore an unequivocal violation of the constitution, and the Constituent Assembly itself was to canonize the profanation of its holy of holies. But the clubs – these were the gathering points, the conspiratorial seats of the revolutionary proletariat. The National Assembly had itself forbidden the coalition of the workers against its bourgeois. And the clubs – what were they but a coalition of the whole working class against the whole bourgeois class, the formation of a workers’ state against the bourgeois state? Were they not just so many constituent assemblies of the proletariat and just so many military detachments of revolt in fighting trim – what the constitution was to constitute above all else was the rule of the bourgeoisie. By the right of association the constitution, therefore, could manifestly mean only associations that harmonized with the rule of the bourgeoisie, that is, with bourgeois order. If for reasons of theoretical propriety it expressed itself in general terms, were not the government and the National Assembly there to interpret and apply it in a special case, And if in the primeval epoch of the republic the clubs actually were forbidden by the state of siege, had they not to be forbidden in the ordered, constituted republic by the law? The tri-color republicans had nothing to oppose to this prosaic interpretation of the constitution but the high- flown phraseology of the constitution. A section of them, Pagnerre, Duclerc, etc., voted for the ministry and thereby gave it a majority. The others, with the archangel Cavaignac and the father of the church Marrast at their head, retired, after the article on the prohibition of the clubs had gone through, to a special committee room, jointly with Ledru-Rollin and the Montagne – “and held a council.” The National Assembly was paralyzed; it no longer had a quorum. At the right time, M. Cr6mieux remembered in the committee room that the way from here led directly to the street and that it was no longer February, 1848, but March, 1849. The party of the National, suddenly enlightened, returned to the National Assembly’s hall of session, behind it the Montagne, duped once more. The latter, constantly tormented by revolutionary longings, just as constantly clutched at constitutional possibilities, and still felt itself more in place behind the bourgeois republicans than in front of the revolutionary proletariat. Thus the comedy was played.

And the Constituent Assembly itself had decreed that the violation of the letter of the constitution was the only appropriate realization of its spirit.

There was only one point left to settle, the relation of the constituted republic to the European revolution, its foreign policy. On May 8, 1849, unwonted excitement prevailed in the Constituent Assembly, whose term of life was due to end in a few days. The attack of the French army on Rome, its repulse by the Romans, [35] its political infamy and military disgrace, the foul assassination of the Roman republic by the French republic – the first Italian campaign of the second Bonaparte – was on the order of the day. The Montagne had once more played its great trump; Ledru-Rollin had laid on the President’s table the inevitable bill of impeachment against the ministry, and this time also against Bonaparte, for violation of the constitution.

The motive of May 8 was repeated later as the motive of June 13. Let us get clear about the expedition to Rome.

As early as the middle of November, 1848, Cavaignac had sent a battle fleet to Civita Vecchia in order to protect the Pope, to take him on board and ship him over to France. The Pope was to consecrate the respectable republic, and to insure the election of Cavaignac as President. With the Pope, Cavaignac wanted to angle for the priests, with the priests for the peasants, and with the peasants for the presidency. The expedition of Cavaignac, an election advertisement in its immediate purpose, was at the same time a protest and a threat against the Roman revolution. It contained in embryo France’s intervention in favor of the Pope.

This intervention on behalf of the Pope, in association with Austria and Naples against the Roman republic, was decided at the first meeting of Bonaparte’s ministerial council, on December 23. Falloux in the ministry – that meant the Pope in Rome – and in the Rome of the Pope. Bonaparte no longer needed the Pope in order to become the President of the peasants; but he needed the conservation of the Pope in order to conserve the peasants of the President. Their credulity had made him President. With faith they would lose credulity, and with the Pope, faith. And the Orléanists and Legitimists in coalition, who ruled in Bonaparte’s name! Before the king was restored, the power that consecrates kings had to be restored. Apart from their royalism: without the old Rome, subject to his temporal rule, no Pope; without the Pope, no Catholicism; without Catholicism, no French religion, and without religion, what would become of the old French society? The mortgage the peasant has on heavenly possessions guarantees the mortgage the bourgeois has on peasant possessions. The Roman revolution was therefore an attack on property, on the bourgeois order, dreadful as the June Revolution.

Reestablished bourgeois rule in France required the restoration of papal rule in Rome. Finally, to smite the Roman revolutionists was to smite the allies of the French revolutionists; the alliance of the counterrevolutionary classes in the constituted French republic was necessarily supplemented by the alliance of the French republic with the Holy Alliance, with Naples and Austria.

The decision of the ministerial council on December 23 was no secret to the Constituent Assembly. On January 8 Ledru-Rollin had interpellated the ministry about it; the ministry had denied it and the National Assembly had proceeded to the order of the day. Did it trust the word of the ministry We know it spent the whole month of January giving the ministry no-confidence votes. But if it was part of the ministry’s role to lie, it was part of the National Assembly’s role to feign belief in its lie and thereby save republican dehors face.

Meanwhile Piedmont was beaten, Charles-Albert had abdicated, and the Austrian army knocked at the gates of France. [36] Ledru-Rollin vehemently interpellated. The ministry proved that it had only continued in North Italy the policy of Cavaignac and Cavaignac only the policy of the Provisional Government, that is, of Ledru-Rollin. This time it even reaped a vote of confidence from the National Assembly and was authorized to occupy temporarily a suitable point in Upper Italy to give support to peaceful negotiations with Austria concerning the integrity of Sardinian territory and the question of Rome. It is known that the fate of Italy is decided on the battlefields of North Italy. Hence Rome would fall with Lombardy and Piedmont, or France would have to declare war on Austria and thereby on the European counterrevolution. Did the National Assembly suddenly take the Barrot Ministry for the old Committee of Public Safety? [37] Or itself for the Convention? Why, then, the military occupation of a point in Upper Italy? This transparent veil covered the expedition against Rome.

On April 14, 14,000 men sailed under Oudinot for Civita Vecchia; on April 16 the National Assembly voted the ministry a credit Of 1,200,000 francs for the maintenance of a fleet of intervention in the Mediterranean Sea for three months. Thus it gave the ministry every means of intervening against Rome, while it adopted the pose of letting it intervene against Austria. It did not see what the ministry did; it only heard what it said. Such faith was not found in Israel; the Constituent Assembly had fallen into the position of not daring to know what the constituted republic had to do.

Finally, on May 8, the last scene of the comedy was played; the Constituent Assembly urged the ministry to take swift measures to bring the Italian expedition back to the aim set for it. Bonaparte that same evening inserted a letter in the Moniteur in which he lavished the greatest appreciation on Oudinot. On May ii the National Assembly rejected the bill of impeachment against this same Bonaparte and his ministry. And the Montagne, which instead of tearing this web of deceit to pieces took the parliamentary comedy tragically in order to play in it the role of Fouquier- Tinville, did not betray its natural petty bourgeois calf’s hide under the borrowed lion’s skin of the Convention!

The latter half of the life of the Constituent Assembly is summarized thus: on January 29 it admits that the royalist bourgeois factions are the natural superiors of the republic constituted by it; on March 21, that the violation of the constitution is its realization; and on May 11, that the bombastically proclaimed passive alliance of the French republic with the struggling peoples means its active alliance with the European counterrevolution.

This miserable Assembly left the stage after it had given itself the satisfaction, two days before its first birthday, May 4, of rejecting the motion of amnesty for the June insurgents. Its power shattered, held in deadly hatred by the people, repulsed, maltreated, contemptuously thrown aside by the bourgeoisie, whose tool it was, forced in the second half of its life to disavow the first, robbed of its republican illusions, without having created anything great in the past, without hope in the future, and with its living body dying bit by bit, it was able to galvanize its own corpse into life only by continually recalling and living through the June victory over and over again, affirming itself by constantly repeated damnation of the damned. A vampire living on the blood of the June insurgents!

It left behind a state deficit increased by the costs of the June insurrection, by the loss of the salt tax, by the compensation it paid the plantation owners for abolishing Negro slavery, by the costs of the Roman expedition, by the loss of the wine tax, whose abolition it resolved upon when already at its last gasp – a malicious old man, happy to impose on his laughing heir a compromising debt of honor.

With the beginning of March the agitation for the election of the Legislative National Assembly had commenced. Two main groups opposed each other, the party of Order and the democratic socialist, or Red, party; between the two stood the Friends of the Constitution, under which name the tricolor republicans of the National sought to put forward a party. The party of Order was formed directly after the June days; only after December 10 had allowed it to cast off the coterie of the National, of the bourgeois republicans, was the secret of its existence, the coalition of Orléanists and Legitimists into one party, disclosed. The bourgeois class fell apart into two big factions which alternately – the big landed proprietors under the restored monarchy and the finance aristocracy and the industrial bourgeoisie under the July Monarchy – had maintained a monopoly of power. Bourbon was the royal name for the predominant influence of the interests of the one faction, Orléans the royal name for the predominant influence of the interests of the other faction – the nameless realm of the republic was the only one in which both factions could maintain with equal power the common class interest without giving up their mutual rivalry. If the bourgeois republic could not be anything but the perfected and clearly expressed rule of the whole bourgeois class, could it be anything but the rule of the Orléanists supplemented by the Legitimists, and of the Legitimists supplemented by the Orléanists, the synthesis of the Restoration and the July Monarchy. The bourgeois republicans of the National did not represent any large faction of their class resting on economic foundations. They possessed only the importance and the historical claim of having asserted, under the monarchy, as against the two bourgeois factions that understood only their particular regime, the general regime of the bourgeois class, the nameless realm of the republic, which they idealized and embellished with antique arabesques, but in which above all they hailed the rule of their coterie. If the party of the National grew confused in its own mind when it descried the royalists in coalition at the top of the republic founded by it, these royalists deceived themselves no less concerning the fact of their united rule. They did not comprehend that if each of their factions, regarded separately, by itself, was royalist, the product of their chemical combination had necessarily to be republican, that the white and the blue monarchy had to neutralize each other in the tricolor republic. Forced by antagonism to the revolutionary proletariat and the transition classes thronging more and more around it as their center to summon their united strength and to conserve the organization of this united strength, each faction of the party of Order had to assert, as against the desire for restoration and the overweening presumption of the other, their joint rule, that is, the republican form of bourgeois rule. Thus we find these royalists in the beginning believing in an immediate restoration, later preserving the republican form with foaming rage and deadly invective against it on their lips, and finally confessing that they can endure each other only in the republic and postponing the restoration indefinitely. The enjoyment of the united rule itself strengthened each of the two factions, and made each of them still more unable and unwilling to subordinate itself to the other, that is, to restore the monarchy.

The party of Order directly proclaimed in its election program the rule of the bourgeois class, that is, the preservation of the life conditions of its rule: property, family, religion, order! Naturally it represented its class rule and the conditions of its class rule as the rule of civilization and as the necessary conditions of material production as well as of the relations of social intercourse arising from it. The party of Order had enormous money and resources at its command; it organized its branches throughout France – it had all the ideologists of the old society in its pay – it had the influence of the existing governmental power at its disposal; it possessed an army of unpaid vassals in the whole mass of petty bourgeois and peasants, who, still removed from the revolutionary movement, found in the high dignitaries of property the natural representatives of their petty prejudices. This party, represented throughout the country by countless petty kings, could punish the rejection of their candidates as insurrection, dismiss the rebellious workers, the recalcitrant farm hands, domestic servants, clerks, railway officials, copyists, all the functionaries civilly subordinate to it. Finally, here and there it could maintain the delusion that the republican Constituent Assembly had prevented the Bonaparte of December 10 from manifesting his wonderworking powers. We have not mentioned the Bonapartists in connection with the party of Order. They were not a serious faction of the bourgeois class, but a collection of old, superstitious invalids and young, unbelieving soldiers of fortune. The party of Order was victorious in the elections; it sent a large majority to the Legislative Assembly.

As against the coalesced counterrevolutionary bourgeois class, the sections of the petty bourgeoisie and peasant class already revolutionized naturally had to ally themselves with the high dignitary of revolutionary interests, the revolutionary proletariat. We have seen how the democratic spokesmen of the petty bourgeoisie in parliament, that is, the Montagne, were driven by parliamentary defeats to the socialist spokesmen of the proletariat, and how the actual petty bourgeoisie, outside of parliament, was driven by the concordats à l’amiable friendly agreements, by the brutal enforcement of bourgeois interests, and by bankruptcy to the actual proletarians. On January 27 Montagne and the socialists had celebrated their reconciliation; at the great banquet of February, 1849, they repeated their act of union. The social and the democratic party, the party of the workers and that of the petty bourgeois, united to form the Social- Democratic party, that is, the Red party.

Paralyzed for a moment by the agony that followed the June days, the French republic had lived through a continuous series of feverish excitements since the raising of the state of siege, since October 14. First the struggle for the presidency, then the struggle between the President and the Constituent Assembly; the struggle for the clubs; the trial of Bourges which, in contrast with the petty figures of the President, the coalesced royalists, the respectable republicans, the democratic Montagne, and the socialist doctrines of the proletariat, caused the proletariat’s real revolutionists to appear as primordial monsters such as only a deluge leaves behind on the surface of society, or such as could only precede a social deluge; the election agitation; the execution of the Bréa murderers [38]; the continual proceedings against the press; the violent interference of the government with the banquets by police action; the insolent royalist provocations; the exhibition of the portraits of Louis Blanc and Caussidière on the pillory; the unbroken struggle between the constituted republic and the Constituent Assembly, which each moment drove the revolution back to its starting point, which each moment made the victors the vanquished and the vanquished the victors and in an instant changed around the positions of the parties and the classes, their separations and connections; the rapid march of the European counterrevolution; the glorious Hungarian fight; the armed uprisings in Germany; [39] the Roman expedition; the ignominious defeat of the French army before Rome – in this vortex of the movement, in this torment of historical unrest, in this dramatic ebb and flow of revolutionary passions, hopes, and disappointments, the different classes of French society had to count their epochs of development in weeks when they had previously counted them in half-centuries. A considerable part of the peasants and of the provinces was revolutionized. Not only were they disappointed in Napoleon, but the Red party offered them, instead of the name, the content, instead of illusory freedom from taxation, repayment of the milliard paid to the Legitimists, the adjustment of mortgages, and the abolition of usury.

The army itself was infected with the revolutionary fever. In voting for Bonaparte it had voted for victory, and he gave it defeat. In him it had voted for the Little Corporal Napoleon behind whom the great revolutionary general is concealed, and he once more gave it the great generals behind whom the pipe-clay corporal shelters himself. There was no doubt that the Red party, that is, the coalesced democratic party, was bound to celebrate, if not victory, still, great triumphs; that Paris, the army, and a great part of the provinces would vote for it. Ledru-Rollin, the leader of the Montagne, was elected by five departments; no leader of the party of Order carried off such a victory, no candidate belonging to the proletarian party proper. This election reveals to us the secret of the democratic-socialist party. If, on the one hand, the Montagne, the parliamentary champion of the democratic petty bourgeoisie, was forced to unite with the socialist doctrinaires of the proletariat – the proletariat, forced by the terrible material defeat of June to raise itself up again through intellectual victories and not yet enabled through the development of the remaining classes to seize the revolutionary dictatorship, had to throw itself into the arms of the doctrinaires of its emancipation, the founders of socialist sects – the revolutionary peasants, the army, and the provinces, on the other hand, ranged themselves behind the Montagne, which thus became lord and master in the revolutionary army camp and through the understanding with the socialists eliminated every antagonism in the revolutionary party. In the latter half of the life of the Constituent Assembly it represented the Assembly’s republican fervor and caused to be buried in oblivion its sins during the Provisional Government, during the Executive Commission, during the June days. In the same measure as the party of the National, in accordance with its half-and-half nature, had allowed itself to be put down by the royalist ministry, the party of the Mountain, which had been brushed aside during the omnipotence of the National, rose and asserted itself as the parliamentary representative of the revolution. In fact, the party of the National had nothing to oppose to the other, royalist factions but ambitious personalities and idealistic humbug. The party of the Mountain, on the contrary, represented a mass hovering between the bourgeoisie and the proletariat, a mass whose material interests demanded democratic institutions. In comparison with the Cavaignacs and the Marrasts, Ledru-Rollin and the Montagne, therefore, represented the true revolution, and from the consciousness of this important situation they drew the greater courage the more the expression of revolutionary energy limited itself to parliamentary attacks, bringing in bills of impeachment, threats, raised voices, thundering speeches, and extremes which were pushed only as far as phrases. The peasants were in about the same position as the petty bourgeoisie; they had more or less the same social demands to put forward. All the middle strata of society, so far as they were driven into the revolutionary movement, were therefore bound to find their hero in Ledru-Rollin. Ledru-Rollin was the personage of the democratic petty bourgeoisie. As against the party of Order, the half-conservative, half-revolutionary, and wholly utopian reformers of this order had first to be pushed to the forefront.

The party of the National, “the Friends of the Constitution quand même as is,” the républicains purs et simples republicans pure and simple, were completely defeated in the elections. A tiny minority of them was sent into the Legislative Chamber; their most noted leaders vanished from the stage, even Marrast, the editor in chief and the Orpheus of the respectable republic.

On May 28 the Legislative Assembly convened; on June 11 the collision of May 8 was renewed and, in the name of the Montagne, Ledru-Rollin brought in a bill of impeachment against the President and the ministry for violation of the constitution, for the bombardment of Rome. On June 12 the Legislative Assembly rejected the bill of impeachment, just as the Constituent Assembly had rejected it on May 11, but the proletariat this time drove the Montagne onto the streets – not to a street battle, however, but only to a street procession. It is enough to say that the Montagne was at the head of this movement to know that the movement was defeated, and that June, 1849, was a caricature, as ridiculous as it was vile, of June, 1848. The great retreat of June 13 was eclipsed only by the still greater battle report of Changarnier, the great man that the party of Order improvised. Every social epoch needs its great men, and when it does not find them, it invents them, as Helvétius says.

On December 20 only one half of the constituted bourgeois republic was in existence: the President; on May 28 it was completed by the other half, the Legislative Assembly. In June, 1848, the constituent bourgeois republic, by an unspeakable battle against the proletariat, and in June, 1849, the constituted bourgeois republic, by an unutterable comedy with the petty bourgeoisie, engraved their names in the birth register of history. June, 1849, was the nemesis of June, 1848. In June, 1849, it was not the workers that were vanquished; it was the petty bourgeois, who stood between them and the revolution, that were felled. June, I849, was not a bloody tragedy between wage labor and capital, but a prison-filling and lamentable play of debtors and creditors. The party of Order had won, it was all-powerful; it had now to show what it was.



[26] In the German original, the term Haupt- und Staatsaktion (“principal and spectacular action,” “main and state action”) is used, which has a double meaning. First, in the seventeenth and the first half of the eighteenth century, it denoted plays performed by German touring companies. The plays were rather formless historical tragedies, bombastic and at the same time coarse and farcical. Second, this term can denote major political events. It was used in this sense by a trend in German historical science known as “objective historiography.” Leopold Ranke was one of its chief representatives. He regarded Haupt- und Staatsaktion as the main subject-matter.
[27] The reference is to the by-elections to the Constituent Assembly in Paris on September 17, 1848 (to replace former deputies, including those who were deprived of their powers after the June insurrection was suppressed). Among the newly elected was the revolutionary socialist Francois Raspail, imprisoned after the events of May 15, 1848.
[28] This refers to a system of general treaties set up by the Congress of Vienna (September 1814-June 1815), embracing the whole of Europe, apart from Turkey. The Congress decisions helped to restore feudal order, perpetuated the political fragmentation of Germany and Italy, sanctioned the incorporation of Belgium into Holland and the partition of Poland, and outlined measures to combat the revolutionary movement.
[29] The Projet de constitution présenté à l’Assemblée nationale drafted by the commission was submitted to the National Assembly by Marrast on June 19, 1848. The draft was published in Le Moniteur Universel No. 172, June 20, 1848. A German translation of the draft was published in the supplement to No. 24 of the Neue Rheinische Zeitung on June 24, 1848. After the June insurrection, this draft was thoroughly revised by its authors in a conservative spirit. The Constitution of the French Republic was finally adopted on November 4, 1848.
[30] The lily – a heraldic emblem of the Bourbon dynasty; the violet – a Bonapartist emblem.
[31] The Jacobins, who sat in the “Montagne,” or raised seats at the back, in the French National Convention, which met in Paris in September, 1792.
[32] By a decree of the Senate (Senatus consult) of May 18, 1804, Napoleon I, the founder of the Bonaparte dynasty, was proclaimed Emperor of the French. During the February uprising of 1848, King Louis Philippe and the monarchist circles were compelled to make Guizot and other unpopular ministers tender their resignations, and tried to form a government of moderate liberals to save the monarchy. On the morning of February 24 Odilon Barrot was authorised to head the Cabinet, but Louis Philippe was compelled to abdicate and flee by the victory of the popular revolution. The Barrot Ministry survived till that afternoon.
[33] On January 26, 1849, the Minister of Public Works Leon Faucher submitted and demanded urgent discussion of a Bill on the right of association, prohibiting clubs. The Constituent Assembly, however, refused to discuss the Bill as an urgent matter. In spite of opposition from the Left deputies, who demanded the Ministry’s resignation, accusing it of a breach of the Constitution, the first clause of the Bill (better known as the Bill on Clubs) was adopted by the National Assembly by a monarchist and moderate republican vote on March 21, 1849. This decision dealt a serious blow at the freedom of assembly and association, primarily at the workers’ associations.
[34] An allusion to the similarity between the schemes for restoring the monarchy in December 1848, when Changarnier assumed command of the National Guard and the Paris garrison, and the part General Monk played in restoring the Stuarts in 1660.
[35] In April 1849, President Louis Bonaparte and the French Government sent an expeditionary corps to Italy under General Oudinot to intervene against the Roman Republic proclaimed on February 9, 1849, and to restore the secular power of the Pope. On April 30, 1849, the French troops were driven back from Rome. The main blow was dealt by Garibaldi’s volunteer corps. Oudinot violated the terms of the armistice signed by the French, however, and on June 3 started a new offensive against the Roman Republic, which had just completed a military campaign against Neapolitan troops in the south and was engaged in rebuffing the Austrians in the north. After a month of heroic defence, Rome was captured by the interventionists and the Roman Republic ceased to exist.
[36] The reference is to the defeat of the Piedmontese army during the second stage of the Austro-Italian war which broke out on March 25, 1848, as a result of the national liberation uprising in Lombardy and Venice against Austrian rule. However, the Piedmontese were compelled by military setbacks, particularly the defeat at Custozza on July 25 and 26, 1848, and the capture of Milan by the Austrians, to conclude an onerous armistice with Austria on August 9, 1848. On March 12, 1849, under public pressure, Charles Albert, King of Sardinia, cancelled the armistice and on March 20 hostilities were resumed. Despite national enthusiasm in Austrian -occupied Lombardy and throughout Italy, the Piedmontese army was defeated at Novara on March 23. Charles Albert abdicated. Victor Emmanuel II, the new King, concluded an armistice with the Austrians on March 26, and on August 6 a peace treaty was signed restoring Austrian rule in Northern Italy and the Austrian protectorate over a number of states of Central Italy (Parma, Tuscany, etc.). Enbgels gives a detailed account of the Austro-Italian war of 1848-49 in his articles in the Neue Rheinische Zeitung.
[37] Le Comité de saint public (the Committee of Public Safety) established by the Convention on April 6, 1793; during the Jacobin dictatorship (June 2, 1793-July 27, 1794) it was the leading body of the revolutionary government in France. It lasted until October 26, 1795.
[38] General Bréa, who commanded some of the troops that suppressed the June insurrection of the Paris proletariat, was killed by the insurgents at the gates of Fontainebleau on June 25, 1848, for which two of the insurgents were executed.
[39] The reference is to the revolutionary events in Hungary and Germany in the spring and summer of 1849. A counter-offensive by the Hungarian revolutionary army, which routed the Austrian troops and almost cleared the Austrian invaders from the whole country, began in April. Hungary declared its independence on April 14, the Habsburg dynasty was officially dethroned and Kossuth elected head of state. However, a change unfavourable to the revolutionary movement shortly took place in the Hungarian campaign. In mid-June 1849 the Tsarist army entered Hungary to assist the Austrian counter-revolution. The Tsarist intervention was in effect approved by the ruling circles of France and England. The combined forces of the Habsburgs and the Tsar suppressed the Hungarian revolution. Almost simultaneously with the counter-offensive by the Hungarians, popular uprisings broke out in Saxony, Rhenish Prussia, the Palatinate and Baden in defence of the Imperial Constitution drafted by the Frankfurt National Assembly but rejected by the King of Prussia and other German princes. On the development of these uprisings see Engels’ essays The Campaign for the German Imperial Constitution.


  • agree: To agree is to say “yes” or to think the same way.
  • attack: To attack is to try to fight or to hurt.
  • clever: When someone is clever, they can solve a hard puzzle or problem.
  • finally: If something happens finally, it happens after a longtime or at the end.
  • hide: To hide is to try not to let others see you.
  • lot: A lot means a large number or amount of people, animals, things, etc.
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  • moment: A moment is a second or a very short time.
  • moment: A moment is a second or a very short time.
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  • claim: To claim means to say that something is true.
  • condition: The condition of someone or something is the state that they are in.
  • force: Force is a person’s strength or power.
  • harm: Harm is hurt or problems caused to someone or something.
  • lay: To lay means to put or place in a horizontal or flat position.
  • peace: Peace is a time without war.
  • protect: To protect someone is to stop them from getting hurt.
  • sense: To sense something is to know about it without being told.
  • sudden: When something is sudden, it happens very quickly.
  • therefore: Therefore means for this reason.
  • accept: To accept something that is offered is to take it.
  • contrast: A contrast is the sharp difference between two things.
  • hang: To hang something is to keep it above the ground.
  • necessary: If something is necessary, you must do it.
  • propose: To propose something is to say that it should be done.
  • purpose: A purpose is the reason that you do something.
  • require: To require something is to say that it is necessary.
  • single: If something is single, then there is only one.
  • success: Success is doing something well that you choose to do.
  • tear: To tear something means to pull it apart.
  • theory: A theory is an idea about how something works.
  • against: To be against something is to be touching it or opposed to it.
  • fix: To fix something is to make it work.
  • prevent: To prevent something is to stop it from happening.
  • save: To save something is to keep it from being hurt.
  • step: To step is to walk.
  • still: Still is used when you say that a situation keeps going on.
  • throw: To throw something is to use your hand to make it go through the air.
  • certain: If you are certain about something, you know it is true.
  • effect: An effect is a change made by something else.
  • essential: If something is essential, it is very important and necessary.
  • far: If something is far, it is not close.
  • function: The function of something is what it does.
  • immediate: If something is immediate, it happens quickly.
  • remain: To remain somewhere is to stay there.
  • rest: To rest is to stop being active while the body gets back its strength.
  • separate: If two things are separate, they are not together.
  • tail: A tail is a part of an animal’s body, sticking out from its rear or back.
  • collect: To collect things is to group them together all in one place.
  • creature: A creature is any living thing.
  • decision: A decision is a choice.
  • either: Either is used with or to say there are two or more possibilities.
  • ground: The ground is the top part of the Earth that we walk on.
  • introduce: To introduce someone or something is to say who they are.
  • prepare: To prepare is to get ready for something.
  • sail: To sail is to move a boat on the water.
  • serious: When something is serious, it is bad or unsafe.
  • alone: If someone is alone, they are not with another person.
  • article: An article is a story in a newspaper or magazine.
  • artist: An artist is a person who paints, draws, or makes sculptures.
  • attitude: Someone’s attitude is the way they feel and think.
  • judge: To judge something is to say if it is good or bad.
  • material: A material is what is used to make something.
  • symbol: A symbol is a thing that stands for something else.
  • thin: If someone or something is thin, they are not fat.
  • blood: Blood is the red liquid in your body.
  • burn: To burn something is to set it on fire.
  • contain: To contain something is to have it inside.
  • demand: To demand something is to say strongly that you want it.
  • equal: To be equal is to be the same.
  • feed: To feed is to give food.
  • hole: A hole is an opening in something.
  • increase: To increase something is to make it larger or more.
  • lord: Long ago, a lord was a man in charge of a town.
  • owe: To owe is to have to pay or give back something received from another.
  • position: A position is the way something is placed.
  • raise: To raise something is to lift it up.
  • responsible: If a person is responsible, they do the right things.
  • spot: A spot is a place where something happens.
  • whole: Whole means all of something.
  • direct: If something is direct, it goes straight between two places.
  • exam: An exam is a test.
  • example: An example of something is a thing that is typical of it.
  • limit: A limit is the largest or smallest amount of something that you allow.
  • poet: A poet is a person who writes poems.
  • scene: A scene is one part of a book or movie.
  • store: A store is a place where you can buy things.
  • excite: To excite someone means to make them happy and interested.
  • extreme: If something is extreme, it is in a large amount or degree.
  • fear: Fear is the feeling of being afraid.
  • happen: If someone happens to do something, they do it by chance.
  • mistake: A mistake is something you do wrong.
  • opportunity: An opportunity is a chance to do something.
  • race: A race is a contest to see who is the fastest.
  • realize: To realize is to suddenly understand.
  • respond: To respond is to give an answer to what someone else said.
  • wonder: To wonder is to ask yourself questions or have a need to know.
  • yet: Yet is used to say something has not happened up to now.
  • board: A board is a flat piece of wood.
  • exist: To exist is to be real.
  • hidden: Hidden means to be not easily noticed or too hard to find.
  • officer: An officer is a leader in the army.
  • original: If something is original, it is the first one of that thing.
  • pound: To pound something is to hit it many times with a lot of force.
  • process: A process is the steps to take to do something.
  • beat: To beat someone means to do better than they do.
  • celebrate: To celebrate is to do something to show that an event is special.
  • determine: To determine means to choose or make a decision.
  • else: If you talk about something else, you talk about something different.
  • fair: Fair describes treating someone in a way that is reasonable or right.
  • flow: To flow is to move easily and continuously in one direction.
  • forward: If you move forward, you move in the direction in front of you.
  • level: A level is a point on a scale that measures something.
  • lone: If someone or something is lone, they are the only one of that kind.
  • solution: A solution is a way to solve a problem.
  • depend: To depend on someone or something is to need them.
  • gather: To gather is to collect several things usually from different places.
  • item: An item is a thing that you buy or sell.
  • offer: To offer is to present someone with something.
  • product: A product is something that is made.
  • property: Property is something that someone owns.
  • tool: A tool is something that helps you do a task.
  • treat: To treat is to act in a certain way toward someone.
  • alive: If someone or something is alive, they are not dead.
  • doubt: Doubt is a feeling of not being sure.
  • foreign: If something is foreign, it is from a different country.
  • however: However means despite or not being influenced by something.
  • lawyer: A lawyer works with the law and represents people in court.
  • mention: To mention something is to talk about it.
  • policy: A policy is a rule.
  • social: If something is social, it is about many people in a community.
  • speech: A speech is something said to a group of people.
  • toward: If you go toward something, you go closer to it.
  • advise: To advise someone is to tell them what to do.
  • already: If something happens already, it happens before a certain time.
  • basic: If something is basic, it is very simple or easy.
  • bit: A bit is a small amount of something.
  • consider: To consider something means to think about it.
  • destroy: To destroy means to damage something so badly that it cannot be used.
  • extra: If something is extra, it is more than what is needed.
  • lie: To lie is to say or write something untrue to deceive someone.
  • real: If something is real, it actually exists.
  • regard: To regard someone or something is to think of them in a certain way.
  • serve: To serve someone is to give them food or drinks.
  • war: A war is a big fight between two groups of people.
  • worth: If something is worth an amount of money, it costs that amount.
  • appear: To appear is to seem.
  • base: The base is the bottom of something.
  • brain: The brain is the organ in your head that lets you think.
  • clerk: A clerk is a type of worker. Clerks in a store help customers.
  • enter: To enter a place is to go into it.
  • hero: A hero is a brave person who does things to help others.
  • later: Later means after the present, expected, or usual time.
  • leave: To leave means to go away from someone or something.
  • though: Though is used when the second idea makes the first seem surprising.
  • actual: Actual means that something is real or true.
  • amaze: To amaze someone is to surprise them very much.
  • customer: A customer is a person who buys something at a store.
  • deliver: To deliver something is to take it from one place to another.
  • earn: To earn means to get money for the work you do.
  • gate: A gate is a type of door. Gates are usually made of metal or wood.
  • plate: A plate is a flat round thing that you put food on.
  • receive: To receive something is to get it.
  • reward: A reward is something given in exchange for good behavior or work.
  • set: To set something is to put it somewhere.
  • advance: To advance is to go forward.
  • behavior: Your behavior is the way you act.
  • behind: Behind means to be at the back of something.
  • course: A course is a class in school.
  • member: A member is a person who is part of a group.
  • mental: If something is mental, it has to do with your mind.
  • pole: A pole is a long thin stick made of wood or metal that supports things.
  • remove: To remove something is to take it away.
  • safety: Safety means to be the condition of being safe and free from danger.
  • shoot: To shoot is to fire something like a bullet at someone or something.
  • web: A web is a home made by a spider.
  • event: An event is something that happens, especially something important.
  • fit: If something fits, it is small enough orthe right size to go there.
  • lack: If there is a lack of something, there is not enough of it.
  • perform: To perform is to do something in front of people who watch.
  • public: If something is public, it is meant for everyone to use.
  • support: To support something is to like it and help it be successful.
  • task: A task is work that someone has to do.
  • term: A term is a word for something.
  • unite: To unite is to get together to do something.
  • associate: To associate means to connect something with a person or thing.
  • feature: A feature is an important part of something.
  • mix: A mix is different things put together.
  • organize: To organize is to plan or get ready for an event.
  • period: A period is an amount of time when something happens.
  • produce: To produce something is to make or grow it.
  • range: A range is a number or a set of similar things.
  • regular: If something is regular, it happens often and in equal amounts of time.
  • sign: A sign is a notice giving information, directions, a warning, etc.
  • tip: A tip is a pointed end of something.
  • tradition: A tradition is something people have been doing for a long time.
  • final: If something is final, it is the last part.
  • further: Further is used to say something is from a distance or time.
  • maintain: To maintain means to make something stay the same.
  • neither: You use neither to connect two negative statements.
  • prove: To prove something is to show that it is true.
  • react: To react is to act in a certain way because of something that happened.
  • society: Society is people and the way that they live.
  • actually: Actually means in fact or really.
  • deal: A deal is an agreement that you have with another person.
  • quite: Quite is used to say that something is complete or very much.
  • trip: A trip is a journey to a certain place.
  • band: A band is a group of people who play music.
  • list: A list is a record of information printed with an item on each line.
  • notice: To notice something is to see it for the first time.
  • own: To own something means to have it. That thing belongs to you.
  • professor: A professor is a person who teaches in college.
  • rush: To rush is to go somewhere or do something very quickly.
  • share: To share something is to give some of it to another person.
  • stage: A stage is a place where actors or musicians act or sing.
  • storm: A storm is very bad weather. There is a lot of rain or snow.
  • within: You use within to say that something is inside another thing.
  • advertise: To advertise is to tell people about something on TV, radio, etc.
  • gain: If you gain something, you get more of it.
  • importance: Importance means the quality or condition of being needed or valued.
  • major: If something is major, it is big or important.
  • mean: Mean describes someone who is unkind or cruel.
  • president: A president is the leader of a country.
  • progress: Progress is the act of getting closer to doing or finishing something.
  • respect: Respect is a good opinion of someone because they are good.
  • rich: If you are rich, you have a lot of money.
  • strength: Strength is the physical power that you have.
  • vote: To vote is to officially choose between two or more things.
  • above: If something is above, it is at a higher level than something else.
  • amount: An amount is how much there is of something.
  • belief: A belief is a strong feeling that something is correct or true.
  • center: The center of something is the middle of it.
  • common: If something is common, it happens often or there is much of it.
  • cost: To cost is to require expenditure or payment.
  • different: Different describes someone or something that is not the same as others.
  • independent: If something is independent, it is not controlled by something else.
  • master: A master is a person who is very good at something.
  • proper: If something is proper, it is right.
  • section: A section is a part of something larger.
  • surface: The surface of something is the top part or outside of it.

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